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11/02/2006
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11/02/2006

Energia

Negociações da Petrobras na Bolívia avançam

Nesta semana, o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, abriu mão das duas primeiras etapas da viagem do presidente Lula para acompanhar em La Paz, as negociações entre a Petrobrás e autoridades do governo de Evo Morales, presidente recém eleito do país.

Segundo comunicado da empresa, as negociações avançaram e representantes da Petrobras e do governo trabalham para construir alternativas que permitam garantir o fornecimento de gás e a ampliação dos investimentos da companhia brasileira na Bolívia.

A informação surge após denúncia de Morales de que seu governo estaria sendo vítima de conspiração por parte de empresas petrolíferas estrangeiras. Ele não citou a Petrobrás.

De acordo com a empresa, “até o final de fevereiro, a Petrobras, o ministério de Minas e Energia, a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos [YPFB] e o ministério de Hidrocarburos da Bolívia assinarão um Memorando de Entendimentos visando à associação em empreendimentos de interesse mútuo, que envolvem a garantia de fornecimento de gás para a Petrobras no longo prazo e a expansão dos investimentos da Companhia naquele país”.

Ainda segundo a companhia, a decisão contou com a participação dos diretores da Petrobras, Nestor Cerveró [Internacional] e Ildo Sauer [Gás e Energia], o ministro de Hidrocarburos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, e o presidente da YPFB, Jorge Alvarado.

Pelo acordo, será assinado um Memorando de Entendimentos que vai detalhar as possibilidades de associação e cooperação em sete áreas, sendo elas: Atividades de refino. Exploração e Produção de petróleo e gás. Biocombustíveis. Distribuição de gás na Bolívia. Instalação de um complexo industrial na fronteira, envolvendo a construção de um Pólo Gás-Químico, com atividades de geração térmica e produção de fertilizantes. Cooperação na área de gás natural, com vistas a intensificar o uso do combustível na Bolívia a partir da experiência desenvolvida pela Petrobras no Brasil [conversão de veículos a diesel e gasolina para gás natural veicular, intensificação do uso do gás no setor residencial]. e Cooperação na formação de recursos humanos bolivianos em tecnologias de petróleo e gás.

O presidente da Petrobras e o ministro de Minas e Energia pretendem embarcar para La Paz logo que os grupos técnicos concluírem os estudos técnicos para a elaboração do Memorando.

Segundo José Sérgio Gabrielli de Azevedo, presidente da Petrobrás, “a reunião da Petrobras com as autoridades bolivianas confirma a possibilidade de entendimento entre as duas partes, de forma a encontrar caminhos para uma convivência mutuamente profícua, sustentável e duradoura”.

A Petrobrás informou que o gás boliviano é responsável pelo abastecimento de cerca de 50% do mercado brasileiro. Atualmente, a Petrobras importa da Bolívia, pelo Gasoduto Bolívia-Brasil [Gasbol], em torno de 27 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia.

A companhia atua em seis dos nove estados bolivianos, e responde pelas operações de produção dos campos gigantes de gás natural de San Alberto e San Antonio, no sul do país.

Além disso, a Petrobras opera parte dos sistemas de transporte de gás natural da Bolívia para o Brasil e para a fronteira entre os dois países, participa da empresa Transierra S.A. e opera o gasoduto Yacuiba-Río Grande, que em conexão com o Gasoduto Bolívia-Brasil assegura o escoamento da produção de gás natural dos campos de San Alberto e San Antonio.

Para a região de fronteira de Puerto Suarez, a Petrobras garante o abastecimento local de gás através do gasoduto da sua empresa Transportadora Transmarcos S.A.

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