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Opinião
A crise venezuelana, o papel da regional e uma oposição desorganizada
21/03/2017 - 15h32

Marcelo Rech

Apesar dos graves efeitos provocados à democracia, às pessoas e às instituições, o regime chavista da Venezuela sobrevive praticamente intacto. Eleições são simplesmente adiadas sem que nehuma reação, seja interna ou no âmbito regional, seja capaz de provocar dores de cabeça naqueles que conduzem o país para o caos absoluto.

A Venezuela não é e, talvez, nunca tenha sido um país pobre. Padece de sucessivos governos, de direita e de esquerda, que sempre priorizaram suas agendas em detrimento da população. Os mais pobres e desvalidos, são os que têm pago essa conta. Não é diferente no regime chavista inaugurado entre 1997 e 1998. A única diferença é que a corrupção que sangra as instituições nacionais mudou de cor.

Primeiro com Hugo Chávez e agora com Nicolás Maduro, a Venezuela segue a passos firmes para uma insurreição, um colapso e um desfecho violento. Não vejo solução para o país que não passe por um derramamento de sangue. O regime não se entregará.

E o regime conta com uma oposição desorganizada e incapaz de pensar um projeto de país. Cada qual com seu objetivo e sua receita para derrubar o governo, mas nenhum com um planejamento que seduza a sociedade. Os líderes de oposição, salvo rarissímas exceções, não têm a confiança dos venezuelanos.

As dezenas de missões que realizam no exterior, não produzem resultados além de fotos e menções na mídia. São incapazes de surtir qualquer efeito concreto e objetivo.

Tampouco sabem o que realmente querem. Não há um foco, um alvo claro que lhes permita superar divergências e, mais importante, vaidades. Trata-se, além disso, de uma oposição fortemente infiltrada e dividida, que apenas facilita as coisas para quem está no poder.

Em muitos casos, uma oposição que se permite ser manipulada, dando ao governo o tempo de que necessita para manter-se no poder sem grandes incômodos. Uma oposição incapaz de fazer uma autocrítica não tem condições de construir consenso em torno de nada.

Diante de um cenário catastrófico como este, não resta aos milhões de venezuelanos outra saída que não seja submeter-se, de forma resignada, àqueles que detém o poder, as Forças Armadas e controlam o Poder Judiciário.

Um país que tem um Parlamento ignorado por seu governo com a conivência e cumplicidade de seu magistratura, não pode ser classificado como uma “democracia vigorosa”, como exige a chanceler Delcy Rodríguez em suas aparições caricatas, principalmente no exterior.

Um regime que rasga as próprias regras impostas de cima para baixo, não tem condições de obter a credibilidade e menos ainda, a respeitabilidade da comunidade internacional.

Ainda mais grave é constatar um regime que chegou ao poder com o petróleo a US$ 140 o barril, priorizar a exportação de uma revolução fracassada. A Venezuela teve a oportunidade de ver-se transformada por completo. Poderia ser um exemplo de nação pujante, com índices exemplares em educação, saúde, desenvolvimento econômico e social, e segurança, mas Chávez pretendeu ser o deus latino-americano e saiu distribuindo a riqueza que pertencia aos venezuelanos.

E o fez impunemente, com o apoio de países como Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e Paraguai, entre outros. Centenas de bilhões de dólares foram entregues a governos cujo único retorno que deram foi inflar o ego do coronel. Cuba foi a sombra que permeou tudo isso e ainda dá as cartas em Caracas.

Para piorar, entidades como UNASUL e CELAC, por exemplo, estão corroídas, contaminadas totalmente pela ideologização. Ideologização que comprometeu totalmente o processo de integração regional e serviu, pelo menos até o momento, para dividir em lugar da unificar.

Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.