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Novos tempos da uma idade moderna

Novos tempos da uma idade moderna

Rodolfo Milhomem de Sousa

A cada minuto estamos degradando nosso meio ambiente, poluindo nossa atmosfera e destruindo cadeias alimentares, mas nem por isso deixamos de beber coca-cola, de dirigir nosso carro, ou ainda abrir a geladeira.

Será que estamos tão errados assim? Não seremos, portanto, somente uma geração egoísta, fruto de uma acumulação capitalista degradante e desigual?

Filhos do liberalismo clássico, nossa sociedade ocidental tornou-se orgulhosamente dona de si, descobrimos e divulgamos a ferro e fogo o individualismo, o capital, e a liberdade (pro capital é claro).

Porém, nos separamos cada vez mais de uma ética espiritual, do nosso lado emocional; cultivamos progressivamente o consumo, o dinheiro, e a satisfação material, deixando de lado nossos sentimentos, nossas alegrias e conclusivamente nosso contato com o mistério.

É claro que toda a evolução filosófica do ocidente não deve ser desprezada, mas em algum momento nos esquecemos de que somos feitos, da nossa ligação incontestável com o que nos cerca.

Toda essa axiologia se torna clara com o que passamos atualmente, com o problema que estamos enfrentando (ou fingindo estar enfrentando).

Todo mundo fala hoje sobre aquecimento global, mas quase ninguém sabe o que significa, e qual sua implicação direta sobre nossas vidas. A terra invariavelmente se tornou mais quente- cerca 0,70 C° em um século- uma mudança aparentemente pequena que nunca antes aconteceu em toda história natural.

Qualquer alteração mínima de um ecossistema, ainda mais em sua temperatura, é capaz de destruir e causar sérios danos ao meio ambiente, e é claro nos seres humanos que nele habitam.

Mas parece que essa lógica simples não é levada em conta pelos governantes, e, sobretudo, pelos governados. O conceito de desenvolvimento sustentável tenta conciliar meio ambiente saudável e progresso material.

Sem esses dois pólos não há como se falar em desenvolvimento, progresso ou fator semelhante. Chegamos a esse conceito, agora devemos lutar pela mudança de nossos valores, e é claro transformá-lo em realidade.

A degradação crescente da natureza, aliada à emissão descontrolada de gases poluentes na atmosfera alterou significamente o equilíbrio natural do planeta. O dano já foi feito, e continuamos a executá-lo incessamente.

Para os próximos séculos, aprenderemos a viver em um habitat completamente transformado, se conseguirmos adaptar-nos e sobreviver a esses NOVOS TEMPOS; estamos caminhando para o fim completo da raça humana (sem falsos alardes é claro).

Os papéis da cultura e do hábito entram nessa equação apocalíptica. As pessoas não tomam necessariamente suas decisões baseadas na eficiência, ou na saúde do ambiente. Elas estão aptas a fazer exatamente o que elas fizeram no passado, o que é esperado, o que seus amigos e vizinhos fazem.

Dirigir um carro com um grande motor, ao invés de um com um pequeno- que queima menos combustível- irá ter o mesmo impacto prático na vida de uma população alienada pela publicidade pós-capitalista.

Ao escolher carros e aparelhos elétricos e métodos para aquecer ou esfriar suas casas, os seres humanos não pensam necessariamente sobre a mudança climática.

E quando milhões de pessoas tomam suas decisões consumistas, que aumentam ainda mais os problemas do aquecimento global, os efeitos no equilíbrio natural são consideráveis.

Tradições e hábitos também limitam as escolhas de estilos de vida. Os empresários e os governos tendem a não dar suporte aos produtos, serviços, e políticas que as pessoas não querem (ou não entendem).

Assim, falta de demanda também prejudica a inovação tecnológica, enquanto um grande interesse aceleraria esse progresso (que seria positivo para o problema ambiental).

Neste diapasão, a principal chave para minimizar os danos já causados seria a união dos paises signatários e o respeito integral aos tratados que compõem a Ordem Ambiental Internacional. Conjugando-se com a construção do interesse dos consumidores e cidadãos, principalmente nos países industrializados.

Estes se tornariam bastantes interessados em combater o aquecimento global, aliada à vontade de comprar produtos que diminuem a emissão de poluentes. Novos processos e tecnologias seriam inventadas e iriam consideravelmente reduzir ou talvez até solucionar o nosso problema ambiental.

Grandes alterações tecnológicas no passado ocorreram devido a tais pressões. Devemos pressionar pela mudança de paradigmas de acumulação.

Mais do que nunca, temos em nossas mãos o papel e o poder de alterar nossos destinos, através do nosso “interesse” no combate aos problemas ambientais, para que não possamos assistir, ou talvez até mesmo nossos filhos, ao espetáculo dantesco do futuro escuro que os cientistas cada vez mais prevêem.

Rodolfo Milhomem de Sousa é advogado e pós-graduando em direito internacional.

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