Brasília, 20 de outubro de 2018 - 21h48

O Aqüífero Guarani e a Necessidade de Regulação Am

17 de fevereiro de 2010
por: InfoRel

Margarita Ieong Cantalapiedra



 



Ao analisar o tema meio ambiente é necessário levar em conta sua relevância e o fato de que qualquer ação tomada afeta diretamente a vida de cada ser humano.



 



Atualmente, levar adiante a idéia de desenvolvimento sustentável é indispensável para que as gerações futuras tenham condições de sobreviver.



 



Um estilo de vida conectado 24 horas por dia à tecnologia e ao consumo exacerbado não pode ser mantido indefinidamente porque os recursos naturais são limitados, e, portanto, é preciso respeitar primordialmente sua capacidade de renovação.



 



Hoje a relação entre meio ambiente e as relações internacionais é bastante clara. Essa realidade, porém, é relativamente recente (30 décadas aproximadamente).



 



Ela veio à tona quando os efeitos do aquecimento global atravessaram as fronteiras nacionais afetando lugares e pessoas fora dos territórios de onde os danos se originaram.



 



Por isso, descobriu-se não ser mais razoável manter o tratamento de questões sobre os efeitos do aquecimento global dentro das esferas nacionais e sim, levá-las ao âmbito internacional tendo como objetivo cooperação e esforços entre os países.



 



O Aqüífero Guarani é um reservatório de água subterrânea que percorre quatro países da América do Sul: Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.



 



Sua extensão total é de 1 200 000 km², sendo que o Brasil compreende sua maior parte, 839 800 km², e Argentina, Uruguai e Paraguai, respectivamente, 225 000 km², 58 000 km² e 71 700 km². Tido como um dos maiores do planeta foi descoberto na década de 1950 na cidade de Botucatu, interior de São Paulo.



 



O nome Aqüífero Guarani foi dado em 1996, na primeira reunião que pretendia definir a política em relação ao recurso, em homenagem à nação Guarani, tribo indígena que habitava a região no período colonial.



 



No Brasil, as águas subterrâneas compreendem oito estados (Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso), estas inclusive já são amplamente utilizadas, tanto para fins agrícolas, urbanos, industriais ou turísticos.



 



Em território brasileiro esse uso aumenta gradativamente, e em algumas regiões de intensa atividade industrial, como Ribeirão Preto, já há indícios de poluição desses mananciais.



 



O Aqüífero Guarani é um bem de valor incalculável num momento em que água doce torna-se cada vez mais escassa.



 



As águas subterrâneas apresentam melhor qualidade do que as superficiais podem ser consumidas sem tratamento e sua contaminação por bactérias, exatamente por sua localização, torna-se mais difícil.



 



Além disso, a contaminação em águas superficiais ocorre de modo mais rápido. Por outro lado, a contaminação de águas subterrâneas é mais difícil de detectar.



 



É imprescindível que uma gestão do recurso visando sua exploração sustentável e consciente seja posta em prática. Para que o Aqüífero seja devidamente explorado é necessário estudo mais aprofundado sobre seus componentes e capacidade de renovação.



 



Portanto, os quatro países beneficiados precisam chegar a um acordo comum o mais rápido possível, já que têm em suas mãos um dos maiores reservatórios de água doce do mundo, bem que cada vez mais é foco de conflitos e disputas territoriais.



 



A necessidade de se aprofundar os estudos sobre sua capacidade hídrica e componentes é intrínseca na elaboração de uma gestão sustentável que seja de comum aos quatro países envolvidos.



 



Sua dimensão, porém, pode causar conflitos entre os mesmos. O território uruguaio tem grande parte de sua extensão tomada pelo aqüífero, o que o torna bem mais pró-ativo na construção de uma política integrada, que inclusive crie punições para qualquer dano causado às águas subterrâneas.



 



Um ponto-chave é que não se sabe se as águas são contínuas e atravessam as fronteiras dos países, o que, no caso de poluição em um ponto significaria dano para toda sua extensão.



 



Esse aspecto somente reforça a necessidade de se dar atenção especial ao Aqüífero Guarani, levantar estudos e pesquisas sobre o tema, e levar adiante projeto de proteção e uso sustentável do recurso.



 



Referências Bibliográficas 



 



BRIGAGÃO, Clóvis, e, M. A. RODRIGUES, Gilberto, Globalização a olho nu: O mundo conectado, cap. 8, p. 96 a 110, São Paulo, Editora Moderna, 1998



BRIGAGÃO, Clóvis, Inteligência e Marketing: O caso SIVAM, Rio de Janeiro, Editora Record, 1996



BRIGAGÃO, Clóvis, Margens do Brasil, Rio de Janeiro, Editora Topbooks, 1995



HIRATA, Ricardo, Recursos Hídricos subterrâneos: caminhos para a sustentavilidade de um recurso estratégico, Instituto de Geociências, Universidade de São Paulo



SOARES, João Clemente Baena, Água – O Aqüífero Guarani, Carta Mensal, v.52, n.616, Julho 2006.



 



Margarita Ieong Cantalapiedra é graduanda no curso de Relações Internacionais do Instituto de Humanidades/Universidade Candido Mendes e membro do Grupo de Análise e Prevenção de Conflitos (Gapcon).

Assuntos estratégicos

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...