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Farc

13 de outubro de 2015
por: InfoRel

Marcelo Rech



Durante os dois governos do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, o Brasil “vendeu” a ideia de que não se envolveria no conflito interno colombiano para poder, no futuro, mediar um acordo de paz entre as guerrilhas e o governo daquele país.



Em 2008, Lula esteve em Bogotá para convencer o então presidente Álvaro Uribe, da importância da Colômbia integrar a recém-criada União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e o seu Conselho de Defesa (CDS). Deu como garantias que nenhum país da região iria se meter na questão e que a luta da Colômbia contras as Farc e o ELN, era um tema interno.



No entanto, o ex-presidente foi o grande responsável pela venda do Super Tucano, avião de ataque leve fabricado pela Embraer, às Forças Armadas da Colômbia. O avião desferiu os principais golpes contra as Farc, eliminando seus líderes e reduzindo a capacidade operacional da guerrilha.



Com o Super Tucano, as Forças Armadas colombianas passaram a dar as cartas e obrigaram a que as Farc aceitassem dialogar a paz já na gestão de Juan Manuel Santos, ex-ministro da Defesa de Uribe.



Há três anos, esses diálogos acontecem em Havana e sem a presença do Brasil. O governo colombiano sempre desconfiou do viés ideológico de várias autoridades brasileiras como o assessor internacional Marco Aurélio Garcia, ideólogo do Foro de São Paulo. As Farc também não quiseram o Brasil à mesa. Não aceitam o fato de ter sido Lula, um líder de esquerda, o carrasco que deu ao governo colombiano o equipamento decisivo na luta que travam há quase 50 anos.



Hoje, o Brasil se vê completamente alijado do processo de paz. Enquanto os Estados Unidos e a União Europeia participam ativamente das negociações em curso e prometem recursos para assegurar o pós-conflito com a reinserção de guerrilheiros e a transformação das guerrilhas em partidos políticos, Brasília não sai das declarações formais.



Enquanto isso, a Colômbia capitaliza com o processo, atraindo investimentos e recursos para grandes obras. Integra a Aliança do Pacífico e em breve se somará ao Tratado Transpacífico, iniciativas que fortalecerão sua economia tornando a paz ainda mais sólida.



É certo que o país participou de ao menos dois resgastes de reféns por meio de helicópteros do Exército, mas muito pouco para quem construiu a ideia em torno da Unasul e do Conselho de Defesa Sul-Americano, mecanismos de consertação política com musculatura para pôr fim às tensões regionais.



O Brasil perdeu protagonismo nos últimos cinco anos, abandonou seus compromissos com seu entorno geopolítico e hoje, assiste a novos atores de menor expressão, dando as cartas em seu quintal. Não será surpresa alguma se o país for excluído também das próximas negociações com a segunda maior guerrilha colombiana, o ELN.



Marcelo Rech é jornalista e analista do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org


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