Brasília, 18 de novembro de 2018 - 21h53

Política Externa

07 de outubro de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech



O Brasil avançou muito na última década em termos de projeção internacional. Diversificou mercados, mirou uma parceria estratégica com a África, fortaleceu sua aliança com os países do BRICS ao mesmo tempo em que consolidou a América Latina como área de influência. Dá mesma forma, trabalhou para construir uma relação diferente com os Estados Unidos, a Europa e a Ásia.



No entanto, a atual Política Externa Brasileira deixa a desejar. O país perdeu muito do protagonismo alcançado nos oito anos do presidente Lula, quando o país deu um salto em termos de presença no exterior. Um dos resultados mais emblemáticos deu-se com a eleição do diplomata Roberto Azevedo para comandar a Organização Mundial do Comércio (OMC), num momento de crise internacional e impasse global em torno das regras de comércio.



O Brasil atual perdeu força externa e suas percepções acerca do que se passa no mundo, já não têm o mesmo peso que tinham há poucos anos. O sistema mundial esperava o Brasil sentar-se à mesa para dar início a qualquer discussão. Hoje, isso é passado. Suas aspirações também deixaram de constar da agenda política e cada vez mais ganharam os contornos da retórica. Seguimos defendendo reformas dos sistemas da ONU, financeiro internacional e outros, mas já sem a mesma contundência e o mesmo ativismo.



Neste sentido, vamos perdendo espaço, terreno e uma parte importante do capital político conquistado com muitas dificuldades e em torno de muitas desconfianças.



Atualmente, estamos fora das principais agendas internacionais, seja no Oriente Médio ou na Europa. Os sinais que o Brasil envia são contraditórios, pouco claros e em certa medida, confusos.



Muito disso tem a ver com a personalidade da Chefe de Estado, com o esvaziamento político do Itamaraty e com uma certa imposição ideológica em determinados temas.



Para o Brasil aspirar a retomada do seu lugar na cena internacional, precisa assumir o seu papel de líder regional, de país emergente, de economia forte, concernente com o seu tamanho geográfico. Um país que é a sétima economia não pode se omitir seja no plano regional ou global. Mecanismos como o Mercosul ou a UNASUL foram contaminados politicamente, fragilizados e perderam o rumo. Em grande medida, graças a omissão brasileira.



Essa mesma omissão que nos tem custado mercados, investimentos e confiança internacional.



O Parlamento por meio das comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, precisa impor-se como ator político, fortalecer a diplomacia parlamentar e institucional e ser parte neste processo.



Não é possível que acordos internacionais dormitem na Presidência da República por meses, sejam votados e aprovados às pressas pelo Legislativo, sem a devida discussão e profundidade. Missões ao exterior, seja do Executivo ou Legislativo, não podem prescindir do empresariado local. O Presidente deve atuar como um promotor dos produtos e das empresas nacionais, respaldado pelo poder político, num exercício suprapartidário em benefício da Nação.



A vizinhança não pode ser negligenciada e menos ainda, tratada com o que sobra. É preciso focar na cooperação. Temos uma fronteira de quase 17 mil quilômetros com dez países, muitos problemas comuns e desafios compelxos como o desenvolvimento de regiões dominadas por guerrilhas, organizações do crime organizado, contrabandistas e traficantes, de drogas, armas e pessoas.



O Brasil, queiram ou não, é uma voz a ser ouvida. Estamos perdendo a audiência e a importância por incompetência e/ou inépcia. Um país com quase 200 milhões de habitantes tem deveres e responsabilidades nos planos doméstico, regional e global, mas estamos nos apequenando cada vez mais e isso, cedo ou tarde nos cobrará um preço altissimo.



Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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