Brasília, 15 de novembro de 2018 - 05h24

América Latina

24 de abril de 2005
por: InfoRel
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O governo brasileiro finalmente conseguiu resgatar o ex-presidente equatoriano Lucio Gutiérrez, numa operação que implica desgaste polà­tico, além de um desafio concreto para a polà­tica externa de integração com os paà­ses sul-americanos.

Gutiérrez é acusado de corrupção no seu paà­s e a população não queria que o Brasil o acolhesse. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva que ainda desfruta de prestà­gio entre os povos latino-americanos, é acusado de traidor.

Para os equatorianos, a questão está acima dos tratados internacionais que prevêem a concessão do asilo diplomático e, posteriormente, polà­tico. Os povos querem derrubar os polà­ticos corruptos e julgá-los. É preciso defender a democracia, mas não se pode ignorar o direito dos povos de julgar seus polà­ticos.

O caso do ex-presidente boliviano Gustavo Sanchez de Lozada é emblemático. Os bolivianos lutam para repatriá-lo com o objetivo de julgá-lo justamente pelos crimes que acabaram por derrubá-lo. No entanto, o Brasil apoiou a saà­da qeu deu à  Lozada um asilo vip em Miami, sem ter de se preocupar em prestar contas em relação aos crimes de que é acusado.

Para o governo brasileiro, a crise do Equador que teve um desfecho surpreendente – pelo menos os operadores da polà­tica exterior não esperavam que o presidente fosse retirado do poder tão rapidamente -, não poderia ser simplesmente ignorada, o que sepultaria de vez o discurso polà­tico de uma integração fà­sica na América do Sul.

Por outro lado, ao acolher um ex-presidente acusado de corrupção, o presidente Lula se indispõe com os movimentos sociais que têm crescido vertiginosamente na América Latina, principalmente aqueles ligados as comunidades indà­genas. De grande là­der polà­tico regional, Lula acaba se transformando num traidor, como crêem os equatorianos.

Talvez fosse momento de se estudar com prudência caso-a-caso. Ao anunciar a concessão do asilo polà­tico para Lucio Gutiérrez, o Brasil se precipitou. Não se pode acolher qualquer um a pretexto de uma diplomacia solidária ou por conta de suas pretensões e ambições no cenário internacional.

A Organização dos Estados Americanos [OEA]investiga as condições que acabaram por destituir Gutiérrez. Suspeita-se que tenha ocorrido um golpe. Isso é outra questão, e a OEA está aà­ justamente por ser o foro adequado para defender e fazer valer o respeito à  democracia.

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