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Relações Internacionais

O desafio chinês – o que esperar do Império do Meio?

Bruno Quadros e Quadros

Quando se fala da China, tudo adquire uma dimensão gigantesca. Com 1,3 bilhão de habitantes, um PIB de 1,7 trilhão de dólares [o sexto maior do mundo], crescimento econômico de 9% [que se mantém desde a década de 70], um contingente de 2,5 milhões de homens nas Forças Armadas [o maior do mundo] e um arsenal de mais de 300 ogivas nucleares, seu peso nas Relações Internacionais é colossal.

Entretanto, é esse gigantismo que faz com que as situações em seu seio adquiram contornos dramáticos. Alguns exemplos são o alarmante estado do meio ambiente, a expansão do HIV/AIDS [840 mil portadores] e a crescente desigualdade sócio-econômica decorrente da adoção do capitalismo de Estado.

A China terá ainda que superar muitas contradições, como seu sistema sócio-político misto [capitalismo na economia e comunismo na política]. Terá que se decidir por dois caminhos: seguir o legado de Mao Tsé-tung ou empreender uma abertura política, que até agora se demonstrou lenta e recalcitrante.

Não se sabe até que ponto a elite política chinesa está disposta a abrir mão de seu poder, como bem demonstraram a repressão aos estudantes na Praça da Paz Celestial em 1989 e a posterior prisão domiciliar de Zhao Ziyang – então secretário-geral do PC chinês – por ter manifestado seu apoio aos estudantes.

A natureza monopartidária do regime chinês tem levado o Ocidente a cometer atos ambíguos. Enquanto as potências ocidentais – principalmente os Estados Unidos – mantêm discurso firme contra as ditaduras de Cuba, Irã e Coréia do Norte silenciam quanto à situação da China – igualmente uma ditadura.

Talvez pela lucratividade das boas relações econômicas com a China ou pelo temor de represálias e alterações no cenário geopolítico na Ásia Oriental.

Outra questão candente é o relacionamento da China continental com Taiwan, considerada uma “província rebelde” por Pequim. A aprovação da lei anti-secessão pelo Congresso Nacional do Povo pode levar a uma atitude mais agressiva da China e a uma corrida armamentista na região, aumentando a tensão também com os norte-americanos, encarregados através do “Taiwan Reaction Act” da defesa da ilha contra um ataque comunista.

A China, a despeito de seu rápido crescimento e das previsões de tornar-se superpotência, ainda é um grande foco de incertezas, daí a importância de estudá-la a fundo, a fim de estabelecer relações mais frutíferas e construtivas com o “Império do Meio”.

Bruno Quadros e Quadros é acadêmico de Relações Internacionais nas Faculdades Integradas Curitiba, do Paraná. Correio eletrônico: bquadrosequadros@gmail.com

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