Brasília, 19 de novembro de 2018 - 06h22

O dilema das bases militares na Colômbia

26 de agosto de 2009
por: InfoRel
Compartilhar notícia:

Marcelo Rech


O ministro da Defesa, Nelson Jobim, esteve nesta segunda-feira, Dia do Soldado, em Bogotá para tentar arrancar detalhes do acordo que aquele país firmou com os Estados Unidos e que darão aos norte-americanos, o direito de usarem sete bases militares colombianas para operações de combate ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).


Nesta quarta-feira, ele teve de prestar esclarecimentos aos deputados que integram a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.


Pela manhã, recebeu um grupo em seu gabinete. Às 17h30, fala reservadamente na Comissão e em seguida, explica o possível em reunião de audiência pública.


Na quinta, 27, terá de enfrentar a mesma comissão, só que no Senado.


O que se percebe é que o governo brasileiro trabalha para respeitar o direito colombiano de firmar um acordo bilateral com os Estados Unidos e ao mesmo tempo, garantir que ataques como o que matou Raul Reyes em território equatoriano, não se repitam.


Além disso, é preciso evitar que a região rache de vez.


O presidente venezuelano Hugo Chávez, por exemplo, pretende romper drasticamente com a Colômbia por conta do acordo.


Já a Colômbia denuncia que Chávez esteja fornecendo armas do seu Exército para a guerrilha.


As tensões aumentam e colocam em xeque a credibilidade do Brasil como líder regional e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), como mecanismo capaz de antecipar cenários e neutralizar crises.


No seu âmbito, está o Conselho Sul-Americano de Defesa, foro de consultas e debates e que vai para a sua prova de fogo sem sequer estar completamente instituído.


Também é importante ressaltar que a Colômbia, aliada histórica dos Estados Unidos, não aceitou integrar o Conselho.


Depois de diversos apelos pessoais do presidente Lula, Álvaro Uribe cedeu, mas impôs condições.


Uma delas: que o Conselho e a Unasul não intereferissem na sua política de combate às Farc.


Aos Estados Unidos (veja mais informações no blog InfoRech, acessado a partir da página inicial do InfoRel), não interessa a integração regional, menos ainda em termos de Defesa e Segurança.


O desafio que se impõe à região é justamente saber como e o que dizer aos irmãos do norte.


Lula tampoco pretende perder o título de "O cara".


Quer uma relação intensa com Barack Obama e adoraria que o presidente dos Estados Unidos aceitasse se reunir com os sul-americanos para dar a sua palavra de que os tempos de ingerência fazem parte do passado.


Para piorar, Álvaro Uribe pode questionar o Brasil sobre suas pretensões com a aquisição de submarinos convencionais e nuclear, aviões de caça e helicópteros de ataque.


Ele não gostou nem um pouco das críticas que recebeu e pode colocar Lula numa saia-justa usando os investimentos nas Forças Armadas para lançar insinuações incômodas.


Marcelo Rech, 38, é jornalista com pós-graduação em Relações Internacionais e especialização em Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org





Assuntos estratégicos

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Brasília – Com cerca de 30 instalações nucleares e 3.000 fontes de...
Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasília - A Agência Brasileira de Promoção de Exportações...
Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Brasília – Apesar do anúncio feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, de...
Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

Brasília – Os primeiros anúncios feitos pelo presidente da República...
CREDN realizará audiência sobre a importância da Inteligência de Estado para o Brasil

CREDN realizará audiência sobre a importância da Inteligência de Estado para o Brasil

Brasília – A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional...
Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...