Opinião

Presença militar dos EUA na região será debatida
26/08/2009
Unasul
26/08/2009

O dilema das bases militares na Colômbia

O dilema das bases militares na Colômbia

Marcelo Rech

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, esteve nesta segunda-feira, Dia do Soldado, em Bogotá para tentar arrancar detalhes do acordo que aquele país firmou com os Estados Unidos e que darão aos norte-americanos, o direito de usarem sete bases militares colombianas para operações de combate ao narcotráfico e às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Nesta quarta-feira, ele teve de prestar esclarecimentos aos deputados que integram a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

Pela manhã, recebeu um grupo em seu gabinete. Às 17h30, fala reservadamente na Comissão e em seguida, explica o possível em reunião de audiência pública.

Na quinta, 27, terá de enfrentar a mesma comissão, só que no Senado.

O que se percebe é que o governo brasileiro trabalha para respeitar o direito colombiano de firmar um acordo bilateral com os Estados Unidos e ao mesmo tempo, garantir que ataques como o que matou Raul Reyes em território equatoriano, não se repitam.

Além disso, é preciso evitar que a região rache de vez.

O presidente venezuelano Hugo Chávez, por exemplo, pretende romper drasticamente com a Colômbia por conta do acordo.

Já a Colômbia denuncia que Chávez esteja fornecendo armas do seu Exército para a guerrilha.

As tensões aumentam e colocam em xeque a credibilidade do Brasil como líder regional e da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), como mecanismo capaz de antecipar cenários e neutralizar crises.

No seu âmbito, está o Conselho Sul-Americano de Defesa, foro de consultas e debates e que vai para a sua prova de fogo sem sequer estar completamente instituído.

Também é importante ressaltar que a Colômbia, aliada histórica dos Estados Unidos, não aceitou integrar o Conselho.

Depois de diversos apelos pessoais do presidente Lula, Álvaro Uribe cedeu, mas impôs condições.

Uma delas: que o Conselho e a Unasul não intereferissem na sua política de combate às Farc.

Aos Estados Unidos (veja mais informações no blog InfoRech, acessado a partir da página inicial do InfoRel), não interessa a integração regional, menos ainda em termos de Defesa e Segurança.

O desafio que se impõe à região é justamente saber como e o que dizer aos irmãos do norte.

Lula tampoco pretende perder o título de “O cara”.

Quer uma relação intensa com Barack Obama e adoraria que o presidente dos Estados Unidos aceitasse se reunir com os sul-americanos para dar a sua palavra de que os tempos de ingerência fazem parte do passado.

Para piorar, Álvaro Uribe pode questionar o Brasil sobre suas pretensões com a aquisição de submarinos convencionais e nuclear, aviões de caça e helicópteros de ataque.

Ele não gostou nem um pouco das críticas que recebeu e pode colocar Lula numa saia-justa usando os investimentos nas Forças Armadas para lançar insinuações incômodas.

Marcelo Rech, 38, é jornalista com pós-graduação em Relações Internacionais e especialização em Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *