Brasília, 10 de dezembro de 2018 - 23h33

O futuro da Argentina

28 de outubro de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



O ex-presidente Nestor Kirchner nunca foi um homem carismático, mas seu poder político era tamanho que nos últimos sete anos praticamente destruiu a oposição.



Eleito presidente, conseguiu tirar a Argentina do buraco e devolver-lhe um mínimo de auto-estima. Conseguiu eleger a esposa, Cristina Fernández, mas manteve-se no centro do poder.



Na prática, era quem governava e decidia.



A exemplo de alguns outros líderes latino-americanos considerava a oposição uma inimiga que deveria ser varrida do mapa.



Ainda assim, emprestou confiança ao país.



Nunca gostou de eventos muito pomposos. Vivia reclamando das cúpulas que ao final não produziam resultados concretos.



Com sua personalidade forte, manteve a relação com o Brasil sob tensão permanente. Com isso, logrou alguns importantes resultados comerciais para desespero da indústria brasileira.



Nestor Kirchner sabia que o Brasil não romperia com a Argentina e que manter a estabilidade política nas relações bilaterais sempre foi uma prioridade para Brasília.



Acertou na mosca.



Dentro do projeto de consolidação da esquerda na América do Sul, Bolívia, Brasil, Equador e Venezuela, costuraram o acordo que lhe rendeu o cargo de primeiro Secretário-Geral da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL).



Era preciso mantê-lo em evidência para que em 2011, Kirchner voltasse ao poder no lugar de Cristina.



Nos últimos meses, ele trabalhava para encontrar um vice capaz de fortalecê-lo e ao mesmo tempo, não criar-lhe problemas. Nestor procurava um José Alencar argentino.



Já se sabia que uma de suas principais ambições era destruir completamente o Grupo Clarín, o principal meio de comunicação da Argentina.



Sua morte põe a UNASUL em compasso de espera uma vez que os 12 países membros terão de eleger um novo Secretário-Geral.



No entanto, o que preocupa de fato é a incerteza sobre a capacidade de Cristina Fernández conduzir sozinha o governo e a sucessão presidencial.



Para a oposição, a morte de Nestor Kirchner representa uma oportunidade de renascimento.



Fragmentados, os partidos de oposição podem unir-se em torno de um projeto que ponha fim à era do kirchnerismo e coloque a Argentina em outro rumo.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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