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Governo de coalizão

O governo decide dividir o poder e as responsabilidades

Marcelo Rech

A decisão pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de dividir o poder e as decisões políticas são um resultado prático do isolamento que o governo vive no Congresso. Sem uma base de sustentação confiável, Lula assumiu a responsabilidade por mudar os rumos do governo junto ao Legislativo.

Ele reconheceu diante dos líderes dos partidos da base governista, que também não aceita a hegemonia petista dentro do Executivo. A decisão de Lula reforça a tese defendida e bombardeada, do ministro da Articulação Política, Aldo Rebelo.

O presidente aproveitou o encontro desta terça-feira para reafirmar a permanência de Rebelo no cargo, contrariando a maioria do PT, que briga há dois anos, pelo menos, para entregar a coordenação política a um petista. O ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, inclusive, já vinha se preparando para assumir o posto.

As declarações de Lula não são novas, e por isso mesmo, geram certa desconfiança junto aos partidos da base. O presidente travou uma reforma ministerial que se arrastava há meses e uma das razões teria sido a sua incapacidade de demitir amigos. Por outro lado, sempre que um ministro petista era cotado para cair, setores do partido corriam para blindá-lo.

Hoje, a situação é diferente. Já estamos em maio e em julho, o Congresso entra em recesso. O governo corre o risco de ver o ano terminar com muito pouca coisa importante sendo votada, o que seria absolutamente preocupante para encarar as eleições de 2006.

Isso, sem contar que o governo continua perdendo votações antes consideradas tranqüilas. Nesta terça-feira, o candidato petista ao cargo de ministro do Tribunal de Contas da União, foi derrotado por um deputado do PP, aliado do presidente da Câmara.

Como se não bastasse, o governo precisa lidar com mais um pedido de CPI. Ainda que o pivô da crise, Maurício Marinho, tenha reconhecido a total responsabilidade pelo episódio, o governo sai chamuscado. E o desgaste pode ser maior se o trabalho de bastidores abortar a investigação.

Ainda é cedo para afirmar que, passados dois anos e quatro meses, teremos enfim um governo de coalizão, mas o gesto do presidente é no mínimo animador. Trata-se de reconhecer o óbvio: não se pode governar sozinho. Principalmente quando se tem um projeto de reeleição no forno.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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