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O Haiti nos levaria ao Afeganistão?

O Haiti nos levaria ao Afeganistão?

Marcelo Rech, do Rio de Janeiro

Começou nesta segunda-feira, no Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (Ciasc), o 1º Seminário de Operações de Paz Pro-Defesa.

O projeto “O Brasil em missões de paz: inserção internacional, equipes integradas e ação no Haiti” é o único na área de Operações de Paz aprovado pelo ministério da Defesa e pela Capes.

Durante dois dias, especialistas civis e militares discutem o papel do Brasil na Minustah.

Foi nesse ambiente acadêmico-militar que se comparou o trabalho do Brasil no Haiti com a realidade do Afeganistão.

Os militares fazem questão de destacar que a presença brasileira na missão de paz no país mais pobre das Américas se dá sob mandato da ONU devidamente aprovado pelo Conselho de Segurança.

No Afeganistão temos uma guerra travada pelos Estados Unidos e seus aliados sem a chancela legal.

Por isso, soou estranho para muita gente tal comparação.

É fato que o Brasil tem sido encorajado a participar de outras missões mais espinhosas, sobretudo na África.

Sudão, Congo e Somália seriam alguns dos destinos de nossos soldados devidamente adestrados no teatro real de operações.

O Haiti é um grande laboratório, reconhecem os militares.

Para o professor Clóvis Brigagão, do GAPCon e da Universidade Cândido Mendes, o sucesso no Haiti pode fazer com que alguns atores pensem no país atuando no Afeganistão.

“Mas não acredito que o Brasil aceitaria”, afirma.

Ele acredita que o país poderia sim participar de outras missões na África e na América Latina e que deveria trabalhar pela criação de uma força multinacional de manutenção da paz no âmbito do Conselho Seul-Americano de Defesa.

Para Igor Kipman, embaixador do Brasil no Haiti, “não há como comparar. O inimigo no Haiti é a miséria. Não há um grupo revolucionário. Existem gangues como no Rio de Janeiro. No Afeganistão não há mandato da ONU e, portanto, não há caráter legal”.

Já a Conselheira Gilda Motta Santos Neves, da Divisão das Nações Unidas, do ministério das Relações Exteriores, afirmou que o Brasil é freqüentemente consultado para participar de outras missões.

“A tendência é que esse tema seja tratado com mais rigor à medida em que se reduza a presença militar no Haiti”, explicou.

De acordo com a diplomata, cerca de 1.600 civis atuam no Haiti à serviço da ONU que tem um orçamento anual de US$ 7,7 bilhões para as operações de paz.

Para se ter uma idéia de quanto isso representa, o orçamento militar dos Estados Unidos para 2010 apenas para as guerras no Afeganistão e Iraque chega aos US$ 128 bilhões.

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