Brasília, 10 de dezembro de 2018 - 01h17
O impacto Trump no Sistema Internacional preocupa embaixador

O impacto Trump no Sistema Internacional preocupa embaixador

06 de maro de 2018
por: InfoRel
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Brasília – O impacto das decisões do presidente norte-americano, Donald Trump, no Sistema Internacional preocupa Rubens Ricupero, ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos. Segundo ele, o mundo sob Trump caminha para o unilateralismo. “Os Estados Unidos elegeram um presidente completamente contrário ao internacionalismo. Os auspícios não são bons. Há um retrocesso civilizatório”, afirmou.

O diagnóstico coincide com a avaliação da presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), Bruna Furlan (PSDB-SP), quem participou com Ricupero, nesta segunda-feira, 5, do 1º Painel do Ciclo de Debates "O Brasil e a Ordem Internacional: Estender Pontes ou Erguer Barreiras?", promovido pela Comissão de Relações Exteriores do Senado.

De acordo com Ricupero, o mundo vive há 73 anos um sistema internacional inspirado por Franklin Delano Roosevelt. “O sistema internacional de cunho liberal com democracia, direitos humanos e economia de mercado, é obra, em grande parte, dos Estados Unidos. E isso nos tem assegurado um tempo de paz relativa”, explicou. “Além disso, este sistema foi capaz de acomodar o colapso da União Soviética e a ascensão da China”, afirmou.

Rubens Ricupero também acusou os Estados Unidos de fomentar o desequilíbrio no Oriente Médio com a “ilegal” ocupação do Iraque. “O Iraque não tinha terrorismo e agora tem. O ISIS nasce dessa ocupação estúpida”, assinalou. Na avaliação do diplomata, os Estados Unidos não aceitam críticas e se arvoram como os únicos defensores da democracia, quando na verdade, estão por trás de muitas das crises e instabilidades em todo o mundo. Ele lamentou ainda que o protecionismo norte-americano ganhe força em um momento de recuperação econômica mundial após a crise de 2008.

Para Ricupero, o mundo deve seguir o exemplo da União Europeia. “É o projeto mais bem-sucedido do Século XX, mais nobre e mais idealista. A melhor esperança da humanidade se chama União Europeia, que trabalha em um sistema baseado em leis, social democracia e um crescimento econômico temperado por uma consciência social. Nós precisamos nos aproximar da UE”, concluiu.

Futuro

Na avaliação de Rubens Ricupero, as relações entre a China e os Estados Unidos irão definir o futuro do século 21. Ele acredita que se essa convivência priorizar a pressão e a competição, desprezando o apoio e a compreensão, o mundo poderá de fato mergulhar em uma zona sombria nas próximas décadas.

Ricupero destacou três decisões recentes que considera de “extrema gravidade”, adotadas por China, Estados Unidos e Rússia, países que são hoje o centro do poder mundial e que apontam para a “deterioração” do clima internacional: a abolição, pela China, de qualquer limite à recondução do presidente Xi Jinping; a apresentação de armas militares “invencíveis” em discurso do presidente Vladimir Putin; e a aplicação de taxas de 25% e 10% sobre a importação de aço e alumínio pelos Estados Unidos, que tem no Brasil o maior fornecedor desses produtos.

Segundo ele, “são decisões independentes e sem nenhum parentesco. Mas, em comum, todas assinalam uma acentuação da deriva do sistema internacional, afastando-se cada vez mais do sistema baseado em regras de respeito a compromissos assumidos em organismos internacionais para a busca de soluções consensuais, em direção a um sistema em que pesa cada vez mais a afirmação unilateral do poder”, assinalou.

Já a decisão do governo chinês assinala, para Ricupero, o instante de afirmação e projeção do poder daquele país, que coincide com o anúncio da construção de ilhas artificiais no mar da China e a instalação de bases militares e navais no exterior.

“Essa evolução ocorre justamente no país que, tudo indica, se tornará muito em breve a maior economia do mundo e, ao mesmo tempo, com aumento do poder militar, pois multiplica os gastos em armamentos, atingindo paridade estratégica com os Estados Unidos. Esperávamos que, à medida que a China se modernizasse e se tornasse próspera, seguiria o caminho do Japão, da Coréia do Sul, se tornando mais liberal, se aproximando de valores e ideais democráticos. A decisão recente é um balde de água gelada nessa expectativa. Vê-se claramente que não é o que vai acontecer no futuro previsível. Nem sempre a prosperidade e a modernização trazem a democratização”, explicou.

Com relação à Rússia, Rubens Ricupero afirmou que o discurso de Moscou volta a ter o tom de nova Guerra Fria. “É uma indicação negativa. Antigamente havia certo equilíbrio com preponderância na busca de normas em busca de equilíbrio, que hoje começa a se romper em favor de um sistema menos preocupado com o internacionalismo e com a busca multilateral de normas que governem a todos. Caminha-se cada vez mais para a afirmação do poder nu e cru daqueles que possuem o poder”, concluiu.

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