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O nazismo no Cáucaso

O nazismo no Cáucaso

Marcelo Rech

 

É fato que a simpatia ao nazismo representa uma ameaça. Para muitos países, europeus e latino-americanos, por exemplo, trata-se de uma questão de segurança pública.

 

Menos um aspecto político-ideológico e mais preconceito alimentado pela ignorância.

 

No entanto, quando essa simpatia se traduz em gestos concretos, a ameaça se torna mais real. Quando, para piorar, vem de um líder político capaz de levar toda uma nação à guerra, a preocupação seria palpável.

 

Em agosto de 2009, Geórgia e Rússia recordaram o primeiro aniversário da guerra travada em nome do controle da região separatista georgiana da Ossétia do Sul.

 

O conflito trouxe a instabilidade política para o Cáucaso.

 

Trata-se de uma região muito distante em todos os sentidos, do Brasil e da América Latina como um todo, mas o conflito reascendeu velhas práticas conhecidas da Guerra Fria.

 

Dos vários aspectos da guerra, pelo menos um guarda relação direta com o apoio norte-americano ao regime de Mikhail Saakashvili, o presidente georgiano. Armas teriam sido enviadas para apoiá-lo no conflito com a Rússia.

 

Saakashvili, antes um desconhecido para o mundo ocidental já é comparado com Adolf Hitler na maneira como lida com a própria população.

 

Enquanto o mundo se ocupava com o aquecimento global e suas conferências pouco ou nada produtivas, ele ordenava no melhor estilo Talibã, a destruição de um monumento em homenagem aos soldados caídos na II Guerra Mundial.

 

Uma forma algo covarde de vingar-se da Rússia que por trás chancela apoio à movimentos neonazistas.

 

No entanto, ao dinamitar o monumento em Kutaisi, a segunda cidade do país, acertou uma mulher e sua filha de oito anos que faleceram imediatamente. Dezenas ficaram feridas.

 

O monumento  em memória dos georgianos mortos na luta contra o nazismo tinha quase 100 metros de altura  e havia sido instalado há 25 anos.

 

De acordo com o governo da Geórgia, ali será construída a sede do Parlamento, distante 236 km da capital do país.

 

Veteranos de guerra acusam o presidente de ser autoritário e de ter sido o principal responsável pela guerra com a Rússia.

 

Para o governo russo, Saakashvili cometeu um ato de vandalismo de Estado que desafia toda a comunidade internacional.

 

Para a Organização das Nações Unidas (ONU), as intenções do governo de Saakashvili de profanar e destruir monumentos que lembram a luta contra o nazismo deve ser condenada.

Em nota, a chancelaria russa afirma que “o sacrilégio cometido em Kutaisi supõe um ato vergonhoso dos atuais dirigentes de Tblisi em sua maníaca obstinação para apagar a memória histórica do seu próprio povo”.

 

O gesto de Mikhail Saakashvili não pode passar em branco. Não só por ser comparado as ações empregadas pelo Talibã no Afeganistão, mas principalmente por alimentar o apoio e a simpatia de cunho nazista, algo que o mundo não precisa voltar a experimentar.

 

Marcelo Rech é o editor do InfoRel. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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