Opinião

Grupo de Rio
29/08/2005
Relações Internacionais
30/08/2005

Soberania Nacional

O papel das Forças Armadas na sociedade brasileira

Sérgio Xavier Ferolla

As organizações militares tiveram presença marcante na consolidação territorial da nação brasileira e os historiadores civis e militares nos legaram páginas primorosas, descrevendo atos de heroísmo e abnegação.

O dia 19 de abril de 1648, em especial, sedimentou as bases do Exército brasileiro, quando, na memorável epopéia dos Guararapes, brancos, negros e índios, unidos pelo ideal de libertação, travaram combate e alcançaram a vitória contra o dominador estrangeiro, na então Capitania de Pernambuco.

Outro feito marcante, dentre os muitos acontecimentos enriquecedores da história pátria, ocorreu no dia 11 de junho de 1865, com a Batalha Naval do Riachuelo, que definiu a progressão vitoriosa das forças nacionais, na então conflagrada fronteira oeste do nosso país e marcou a indelével atuação da Marinha de Guerra com o heróico sinal de Barroso “sustentar o fogo, que a vitória é nossa”.

Com a República, e a conseqüente evolução política do país, novos atores começaram a despontar no cenário nacional, principalmente os jovens tenentes da década de 20, impulsionados pelos arroubos da juventude e a consciência democrática, que repudiava o predomínio das poderosas oligarquias.

Os jovens dessa década marcante da história pátria, civis e militares irmanados de um mesmo sentimento renovador, tornaram-se personagens de realce nas décadas seguintes, de 30 e 40, não só liderando correntes políticas como, em muitos casos, ocupando cargos importantes na administração do país.

A Segunda Guerra Mundial maximizou a influência militar no direcionamento das questões nacionais e, com o surgimento do mundo bipolar, a preocupação obcecada com o comunismo internacional e a influência doutrinária dos interesses geopolíticos dos Estados Unidos, conduziu ao surgimento de posições radicalizadas e sentimentos antagônicos, que acabaram por provocar a grande cisão da família brasileira, culminando com a deflagração do movimento de 1964.

Valendo-se do cenário propiciado pela Guerra-Fria, a perniciosa influência da geopolítica norte-americana prosseguiu com seus efeitos danosos, visando inviabilizar um sólido Estado industrializado ao sul do Equador e, para tal, fazendo confundir os sentimentos nacionalistas em efervescência, com os interesses do comunismo internacional e como símbolo de eras pré-históricas e do atraso.

Essa forma de atuação prossegue nos dias atuais, de forma mais sutil, usando como instrumento as agências internacionais que manipulam, bem como, cooptando destacados técnicos, veículos de comunicação, burocratas e influentes lideranças políticas que ascenderam ao poder com o fim do regime militar.

Boa parte desses líderes de ocasião, cumprindo papel submisso e anti-nacional, conduziram o país à deprimente dependência do capital internacional e à alienação espoliativa de grande parte do estratégico patrimônio, arduamente edificado pelo povo brasileiro.

Associado aos malefícios dessa geopolítica regional, interesses econômicos alienígenas, sob o signo diabólico do neoliberalismo, buscam argumentos para eliminar o pouco que resta do conceito de soberania nos países periféricos, apregoando para os Estados já enfraquecidos, como o Brasil, o fim das fronteiras geográficas, a ideologia do Estado mínimo e a submissão passiva aos interesses do mercado.

Para alcançar mais facilmente seus interesses de dominação, usam artifícios para abalar o sentimento nacional, religioso e familiar, bem como, ardilosamente, reduzir a capacidade de atuação das Forças Armadas, óbice ainda persistente, pois alicerçado na formação de quadros com origem em todos os estratos étnicos e culturais da multirracial população brasileira e sob o compromisso solene de defender a pátria, com o sacrifício da própria vida.

Para minar a confiança nacional nessa sólida e patriótica fortaleza, utilizam técnicas subliminares que iludem os menos avisados e desinformados, fomentando a desconfiança e rememorando fatos dolorosos que dilaceraram o tecido social, atingindo vitoriosos e perdedores, e de cujos resultados certamente se valeram, em épocas muito recentes.

O resultado danoso dessa forma irracional de percepção e abordagem, é a criação de uma atmosfera de desconfiança no papel constitucional atribuído às Forças Armadas, há anos sendo fragilizadas pela crescente escassez de recursos orçamentários, bem como pela pressão doutrinária de conhecidos segmentos do poder hegemônico internacional, interessados em reduzi-las a simples guarda nacional, para a vigilância policial das fronteiras e o combate ao crime organizado, já que as potências militares que dominam o atual cenário mundial se colocam disponíveis para atuar em nosso território, no caso da eclosão de uma ameaça externa.

Graças ao espírito patriótico e à crescente conscientização de uma Nação que preza sua soberania, reações ainda discretas, mas de profundo significado psicossocial em busca do correto entendimento da questão nacional, começam a se manifestar, com debates públicos e artigos bem fundamentados em veículos de comunicação.

Nesse favoravel contexto, cabe aos lideres militares um impostergável e firme posicionamento, valendo-se das novas oportunidades para a realização de palestras junto a organizações e entidades formadoras de opinião, viabilizando uma nova forma de interpretação e análise da participação da expressão militar do Poder Nacional, assim como interagindo com a sociedade e definindo formas de atuação nos variados segmentos de interesse da nacionalidade.

A criação do ministério da Defesa, em que pese ter surgido mais por imposição externa do que por uma decisão política amadurecida no âmbito da sociedade, poderá evoluir para a real coordenação e otimização das ações de interesse comum das Forças Singulares, respeitadas as peculiaridades profissionais e operacionais das três Forças, com suas formas específicas de atuação num Teatro de Operações.

A participação de um ministro de Estado com vinculação político-partidária na direção superior dos Comandantes militares deverá, prioritariamente, ser voltada para o equacionamento das questões de interesse das Forças Singulares e para um constante diálogo de esclarecimentos com o Congresso e a sociedade, consolidando a Política de Defesa Nacional e seu enfoque particular na gestão do governo para o qual foi designado.

Cautelas muito especiais devem ser guardadas, para que os efetivos militares se mantenham afastados das disputas partidárias, já que devem se situar aquém das alternâncias de poder, para que a hierarquia e a disciplina, pilares básicos do estamento militar, não sejam abalados.

Pela relevância da Expressão Psicossocial do Poder Nacional no contexto amplo de uma Política de Defesa e como missão complementar para as Forças Armadas em tempo de paz, visando, principalmente, à elevação do sentimento de cidadania, parte do orçamento para a ação social do governo poderia ser reservada, em rubrica especial, para que os Comandos militares realizassem uma efetiva atuação cívico-social e de defesa civil.

Essa forma de aproximação com as comunidades carentes sempre foi executada, mesmo sacrificando parte dos parcos recursos alocados para o prestamento operacional, mas a redução continuada dos orçamentos tem comprometido essa forma cidadã de atendimento aos modestos anseios da população de baixa renda, de onde, majoritariamente, se originam nossos soldados.

Com recursos extra-orçamentários, especificamente definidos, poderiam as Organizações militares, fazendo uso da infra-estrutura organizacional e material de que dispõem, reforçar os laços da integração nacional e a assistência às regiões atingidas por diversas calamidades, bem como nas comunidades carentes onde o Estado não se faz regularmente presente.

Nesse contexto deve-se realçar os benefícios do Serviço Militar para os jovens oriundos das camadas mais pobres, concedendo-lhes uma oportunidade de ascensão social, com aprend

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *