Brasília, 10 de dezembro de 2018 - 01h16

O papel do Brasil no acordo com o Irã

18 de maio de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



O governo brasileiro celebrou o acordo firmado nesta segunda-feira em Teerã.



Foi uma resposta aos incrédulos que insistem em dizer que estamos sendo ingênuos e estúpidos.



Prefiro pensar diferente.



Não acredito que o ministro Celso Amorim tenha sido estúpido.



Não tem esse perfil. É um dos profissionais mais bem preparados deste país.



E lá se vão 20 anos desde que falei com ele pela primeira vez.



O chanceler cercou-se de todos os cuidados para fazer com que o Irã percebesse que a grande oportunidade estava dada por Brasil e Turquia.



Um conflito é sempre muito dispendioso. Em tempos de vacas magras, mais ainda.



Se o Irã vai ou não cumprir com a palavra empenhada, é outra história.



E não é responsabilidade do Brasil.



O país atuou como facilitador, como um ator que privilegia o diálogo ao isolamento e/ou preconceito.



Para muitos, fez uma aposta arriscada e pagará o preço de insistir em dialogar com um regime totalitário.



É fato.



O gesto brasileiro respaldado pelos turcos contraria muitos interesses.



Por outro lado, confirmado o acordo, terão de criar fatos para justificar mais tensões.



Os Estados Unidos são mestres nisso. Não aceitam que o Brasil tenha superado as expectativas.



Além disso, é importante assinalar que a discussão não é séria quando tendenciosa.



Israel que ignora o Tratado de Não Proliferação considera-se ameaçado, mas quantas vezes se submeteu às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA)?



E as resoluções da ONU ignoradas solenemente? Que sanções lhe foram impostas?



Há muita hipocrisia no que diz a comunidade internacional.



Não importa se Mahmoud Ahmadinejad é ou não confiável. Interessa saber por que dois pesos e duas medidas.



Diz o artigo 6º do TNP: Cada Parte deste Tratado compromete-se a entabular, de boa fé, negociações sobre medidas efetivas para a cessação em data próxima da corrida armamentista nuclear e para o desarmamento nuclear, e sobre um Tratado de desarmamento geral e completo, sob estrito e eficaz controle internacional.



Acaso as grandes potências sabem o que isso significa?



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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