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Reforma Ministerial

23 de maro de 2005
por: InfoRel
Na segunda-feira, o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti [PP-PE], deu uma demonstração do poder que adquiriu graças aos eternos desentendimentos petistas. Postando-se como alguém que está acima do bem e do mau, Cavalcanti colocou o presidente da República na parede.

Ameaçou ir para a oposição se os seus desejos mais à­ntimos não fossem atendidos e marcou dia e hora para ver suas reivindicações atendidas. Severino tem um jeito muito próprio de ser. O que ele diz em público, a maioria o faz no privado. Ele assume o que fala, mas acabou falando demais e queimou o partido e seu apadrinhado.

Ele impôs a indicação do deputado Ciro Nogueira [PP-PI], seu fiel escudeiro, para o ministério das Comunicações. Mas a indicação teria de ser assinada na terça-feira. “Ou o PP vai para a oposição com o PFL”, afirmou o deputado em Curitiba. Lula chamou Severino à  Brasà­lia para saber se era isso mesmo.

Desta vez, o deputado não foi tão voraz. Recuou e jogou a culpa na imprensa que sempre interpreta os polà­ticos de forma equivocada, mesmo que suas declarações tenham sido gravadas. Severino disse que não era bem assim, que foi mal interpretado e que a decisão era do presidente, só dele.

Nesta terça-feira, o presidente mostrou firmeza ao suspender por tempo indeterminado, uma reforma ministerial que se arrasta há tempos. Não encolheu o espaço do PT. Não ampliou o espaço do PMDB. Não deu cargos para o PP. O tiro de Severino saiu pela culatra e Lula mostrou quem é que manda na reforma.

Além disso, o presidente absolutamente irritado com seu próprio partido chamou Aldo Rebelo e avisou para ele continuar seu trabalho e tratar de reagrupar a base governista na Câmara em conjunto com o novo là­der do governo, deputado Arlindo Chinaglia [PT-SP].

No entanto, Rebelo deve continuar enfrentando os mesmos problemas, pois vai continuar coordenando a polà­tica do governo sem poder para nomear, liberar recursos e fazer valer as alianças. No mundo dos polà­ticos, tem que ter tinta na caneta como disse o deputado Sandro Mabel [PL-GO].

Apesar de profundamente aborrecido com as sabotagens e crà­ticas petistas, Rebelo aceitou ficar. Até quando, não sabe. Ele pode ser deslocado até abril, para o ministério da Defesa. Rebelo foi informado que a reforma foi suspensa, não cancelada.

Lula também aproveitou a deixa de Severino para mandar um recado ao seu partido, que precisa ser menos ácido nas crà­ticas aos aliados e menos apegado aos cargos, pois 90 deputados não garantem nada ao governo na Câmara, por exemplo.

De qualquer forma, a suspensão vai dar mais tempo e tranqüilidade para Lula montar o governo dos seus sonhos. Ele sabe que se não mexer agora, terá de mexer até abril do próximo ano. Muitos dos ministros como Olà­vio Dutra, Tarso Genro, Humberto Costa, José Alencar e Ciro Gomes, por exemplo, estudam candidatar-se a cargos executivos em 2006.

Por ora, vale o gesto polà­tico de mostrar a firmeza de quem realmente tem a responsabilidade para decidir. Por outro lado, Lula obriga o PP a segurar seus à­mpetos. Do contrário, ele mesmo estaria afundando seu governo num fisiologismo sem precedentes.

O partido tem 54 deputados e a presidência da Câmara, mas não vai dar as cartas para quem tem um governo legitimado por mais de 50 milhões de votos, e não 300 como recebeu Severino para se achar um dos cardeais da polà­tica nacional.

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