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O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e uma nova Guerra Fria?

O Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário e uma nova Guerra Fria?

12 de fevereiro de 2019 - 08:00
por: Marcelo Rech
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Na sexta-feira, 1° de fevereiro, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que os Estados Unidos iniciaram a retirada do país do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário. A decisão foi internacionalmente lamentada.

O Tratado INF, como é conhecido, é um instrumento internacional que foi firmado entre os Estados Unidos e a então União Soviética, em Washington, em 8 de dezembro de 1987, Trata-se do resultado de seis anos de negociações entre as mais altas autoridades dos dois Estados. O objetivo principal era alcançar a eliminação total dos mísseis de médio alcance.

Este tratado constitui um dos movimentos mais importantes para arrancar com o desarmamento nuclear e pavimentou o fim da Guerra Fria. A saída unilateral dos Estados Unidos pode levar o mundo à uma nova corrida armamentista. Mas, não é a primeira vez que um presidente republicano abandona um importante tratado sobre controle de armamentos.

Em dezembro de 2001, George W. Bush anunciou a saída unilateral do Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), pelo qual a União Soviética e os Estados Unidos se comprometeram em 1972, a reduzir drasticamente seus arsenais de sistemas antimísseis.

Durante muito tempo, os convênios no campo da limitação de armas constituíam a base da estabilidade global. A retirada unilateral de Washington do Tratado INF enfraquece a segurança internacional e alimenta uma escalada de tensões que podem afetar inclusive a América Latina.

Os Estados Unidos tentam debitar a decisão, considerada por diferentes analistas estrangeiros como um passo destrutivo, nas supostas violações do acordo por parte da Rússia. Além disso, se recusam a discutir substantivamente a sua preservação. Para a Casa Branca, a decisão está tomada e não há volta atrás.

Ao mesmo tempo, há uma série de reivindicações essenciais sobre o Tratado INF para Washington (drones de choque, mísseis de alvo, rampas de lançamento universais). No entanto, os Estados Unidos não pretendem discutir as suas próprias violações e preferem exercer a pressão indisfarçada sobre outros países.

No dia 7, Moscou revelou sua disposição dialogar de forma construtiva com Washington para que o Tratado INF seja mantido e atualizado.

Washington exige apoio incondicional à política da Casa Branca sobre o tratado e responsabiliza a Rússia por sua saída “forçada” do acordo. No entanto, a história registra que os Estados Unidos, tradicionalmente, ignoram a opinião da comunidade internacional, que se declara a favor do fortalecimento do controle sobre as armas nucleares.

Marcelo Rech é jornalista e editor do InfoRel. E-mail: inforel@inforel.org.