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Olimpíada dos Mísseis Nucleares

Marcelo Rech

No próximo dia 9 de fevereiro, terá início em PyeongChang, na Coreia do Sul, a 23ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno que reunirá quase três mil atletas de 92 países, incluindo a Coreia do Norte cuja delegação já se encontra no país vizinho. A participação dos norte-coreanos acabou tornando-se um tema de política internacional e, apesar de muitas resistências, Pyongyang decidiu enviar uma delegação como um gesto de boa vontade, pois as tensões na Península Coreana continuam.

Os dois lados recusam categoricamente o diálogo, o que mantém o suspense em torno de um enfrentamento militar. Para a grande maioria dos especialistas, a Coreia do Norte é a principal responsável pelo agravamento da situação no Leste Asiático.

No entanto, o papel desempenhado pelos Estados Unidos na região contribui com o discurso sustentado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un que já viu “velhos amigos” de Washington serem varridos do poder quando os interesses norte-americanos mudavam. Foi assim, por exemplo, com Saddam Hussein, no Iraque, e Muammar Kaddafi, na Líbia. Países com os quais os Estados Unidos trabalharam de forma frutífera nos últimos anos, acabaram numa lista negra de “cúmplices do terrorismo”.

O passado justificaria o presente e a Coreia do Norte, apesar da grave crise econômica, estaria gastando milhões em armas nucleares como forma de se proteger do que está por vir. Além disso, a decisão de Seul de implantar um sistema de mísseis antibalísticos oferecido pelos Estados Unidos (THAAD), torna o ambiente ainda mais conturbado. A decisão fora adotada justamente após a Coreia do Sul ser confirmada como sede dos Jogos Olímpicos de Inverno deste ano.

Para o cientista político Nicolas Levy, da Academia Polonesa de Ciências, não se pode descartar um conflito militar durante o evento. Na sua avaliação, Kim Jong-un não desistirá do seu programa nuclear porque está convencido de que apenas estas armas o protegerão de um possível ataque dos Estados Unidos.

Em muitos aspectos, devido à uma política externa errante por parte de Washington e Seul, os próximos Jogos Olímpicos de Inverno poderão converter-se nas Olímpiadas dos Mísseis Nucleares. Dadas as atuais circunstâncias, o evento de PyeongChang ainda poderia ser transferido para Munique, na Alemanha, ou Annecy, na França, cidades que brigaram pelo direito de sediar os Jogos.

Marcelo Rech é jornalista, diretor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contrainsurgência e o Impacto dos Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org.

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