Brasília, 23 de outubro de 2018 - 05h43

Geopolitica

19 de outubro de 2016
por: InfoRel

Marcelo Rech



No dia 28 de julho, a Rússia lançou em Aleppo, na Síria, uma operação humanitária apoiada pela maioria dos países europeus e asiáticos como China e Sérvia. O ministério da Defesa também apresentou uma proposta formal para juntar-se aos Estados Unidos como forma de minimizar a tragédia para os civis inocentes.



O confronto militar na cidade com a participação direta da Rússia e da Síria e com o apoio de Irã, Israel e Turquia, mina o projeto político do Ocidente na região e pode mudar o curso da história.



A situação em Aleppo atingiu seu ápice com a criação de um “bolsão” onde estão os simpatizantes da Jabhat al-Nusra e outras organizações terroristas. O plano russo prevê a criação de oito corredores humanitários para os civis e os combatentes que decidirem abandonar as armas.



Ao que parece, para quebrar a espinha dorsal dos terroristas no Oriente Médio, Moscou não necessita do apoio da coalizão anti-Estado Islâmico liderada pelos Estados Unidos. A percepção é de que após quase um ano de presença no teatro real de operações, as Forças Armadas russas mostram-se capazes de executar as tarefas atribuídas.



No xadrez internacional, a guerra civil síria é cada vez mais decisiva. E a Rússia tem mostrado que pode jogar como potência dada a sua capacidade militar, a presença no território sírio (atendendo pedido do líder Bashar al-Assad e seguindo as regras do direito internacional), e o apoio de players influentes na região e que contam com os exércitos mais poderosos do Oriente Médio.



É claro que neste cenário de poderio bélico, as acusações contra os russos são previsíveis, embora não comprovadas. Acusam os militares russos de bombardearem infraestruturas civis mesmo quando os alvos são checados três vezes pela Força Aeroespacial da Rússia, a partir de informações de contra-inteligência fornecidas pela agência síria Mukhabarat.



As coordenadas são então confirmadas por veículos aéreos não tripulados. Feito isso, as VKS da Rússia na Síria, recebem as informações completas. Os ataques são desferidos com munições especiais e guiadas para destruir alvos em áreas urbanas densas. O uso de um sistema de verificação tripla de coordenadas pretende evitar a perda de civis.



Além disso, apesar de os Estados Unidos e seus aliados reconhecerem oficialmente a Jabhat al-Nusra como organização terrorista, Washington esforça-se para evitar a sua derrota completa em Aleppo.



O temor é que a destruição dos terroristas ponha fim ao projeto político-estratégico do Ocidente na região. Projeto que não conta com o apoio da população local. Também é importante destacar  que o termo “oposição moderada” não passa de uma peça de ficção criada para sustentar a propaganda que legaliza o terror em meio à luta política.



O cerco de Aleppo, segunda maior cidade da Síria, e o fracasso do projeto ocidental naquele país pode pôr fim à política de padrões duplos que floresceu no Oriente Médio na última década.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org


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