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Operações Especiais: forças militares comemoram re

Operações Especiais: forças militares comemoram resultados

Bogotá – O Major-General Gustavo Matamoros, comandante do Centro de Operações Especiais do Exército da Colômbia, afirmou que os resultados das operações militares contra as Farc neste início de ano são positivos.

Segundo dados das forças militares da Colômbia, para cada soldado morto em combate, são abatidos sete guerrilheiros. Nos primeiros 90 dias de 2008, 661 guerrilheiros foram mortos e outros 1.511 capturados.

Algo em torno de 620 se entregaram ao programa de desmobilizados. Com eles, foram apreendidos 686 fuzis e destruídos 363 laboratórios de refino de cocaína. Até o dia 6 de abril, a média de capturas de guerrilheiros era de 17 por dia.

Matamoros explicou ainda que “a guerra está sendo ganha graças à intensificação das operações de inteligência que deram um salto nos últimos anos com a aquisição de equipamentos de alta tecnologia”.

Ele entende que esses equipamentos associados ao treinamento de informantes em todo o país, mais os combates que se realizam quase que permanentemente, são fundamentais para que as Farc seja derrotadas.

Uma das estratégias adotadas pelas forças militares para que as operações sejam exitosas está na restrição das informações sobre as operações que são realizadas. Os efetivos só tomam conhecimento das operações minutos antes dos combates.

Além disso, dentro das tropas há um trabalho de desinformação e contra-inteligência que é aguçado nos dias anteriores à operação. Tudo para evitar vazamentos e otimizar os resultados.

De acordo com Matamoros, “a organização foi desmantelada em sua espinha dorsal e muitos criminosos acabam se colocando como civis. Provocamos uma asfixia nas economias das Farc e evitamos que recebam suprimentos e os pagamentos oriundos do narcotráfico. Isso cria uma situação interna insustentável para a guerrilha”, afirmou.

Narcotráfico

De acordo com o oficial, as operações militares contra as Farc se dão em conjunto com o combate ao narcotráfico. Segundo ele, “são duas coisas que se completam. Muitas vezes chegamos às Farc seguindo pistas do narcotráfico e vice-versa”.

Os serviços de inteligência da Colômbia informaram que 23 cartéis de drogas atuam no país. Nenhum deles do porte de um Cartel de Cali ou Medellín, mas todos com seus tentáculos na política, na guerrilha e junto aos grupos paramilitares.

O general Matamoros explicou que “no final dos anos 1990 as Farc se deram conta que podiam controlar todo o processo que envolve o narcotráfico. Deixaram de ser meros protetores de plantios ou de seguranças dos traficantes. A partir daí, herdaram todo o ciclo, da produção à exportação, o que lhes rende algo em torno de US$ 700 milhões anuais”.

Fronteiras

Um dos principais problemas enfrentados pelo governo da Colômbia para pôr fim às Farc está na vulnerabilidade das suas fronteiras. Oficiais do Exército reconheceram falta vigilância e mais cooperação com os países vizinhos.

As fronteiras vulneráveis é um convite para o comércio de drogas e armas e até mesmo para a entrada de guerrilheiros que usam os países vizinhos para se abastecerem de suprimentos, insumos para o refino de cocaína e mesmo para o descanso dos combates.

Na região do Chocó, por exemplo, os muitos rios facilitam o cultivo e a exportação da cocaína para o Pacífico, América Central e Estados Unidos.

O Exército reconhece que é muito fácil tirar as drogas do país para a Venezuela e que para o Brasil as dificuldades são maiores, embora esse fluxo venha crescendo. Outro problema reside na falta de uniformidade das legislações sobre os narcóticos nos vários países da região.

O governo da Colômbia pretende erradicar 140 mil hectares de coca nos próximos dois anos, sendo 100 apenas em 2008. De acordo com dados do governo, a cocaína colombiana é uma das melhores do mundo e a guerrilha tem conseguido até quatro colheitas anuais.

Na Colômbia, não é um delito cultivar coca, já no Equador, isso é crime. Para o general Matamoros a Colômbia precisa rever suas leis. “Há uma distorção que deve ser debatida e o ideal seria os países limítrofes adotarem leis iguais para crimes como este. Isso desestimularia as redes de apoio que se formam em torno da Colômbia”, afirmou.

Ele também adiantou que as fumigações nas regiões próximas das fronteiras foram suspensas há mais de um ano e que a erradicação dos plantios passou a ser manual. O Exército avaliou que esse modelo tem-se mostrado mais efetivo.

Por outro lado, o Exército informou que aceitou indenizar possíveis vítimas das fumigações, mas que até o momento, nenhuma pessoa, colombiana ou estrangeira, havia se apresentado para solicitar o benefício, razão pela qual, as Forças Armadas da Colômbia não entendem por que o Equador denunciou o país na Corte de Haia.

Ele revelou ainda que a Colômbia não possui qualquer nível de cooperação militar com o Equador, país com o qual sempre teve problemas quanto ao combate às Farc.

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