Brasília, 13 de novembro de 2018 - 01h40

Oposição ataca política externa brasileira

08 de abril de 2010
por: InfoRel
Compartilhar notícia:

Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, falou sobre a condução da política exterior brasileira por cerca de 5h na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal.



A oposição elencou 25 temas que considera equívocos do Itamaraty e do governo, como o apoio ao regime cubano, ao Irã, o envolvimento na crise política de Honduras, a aliança com Venezuela e Bolívia, o refúgio do terrorista italiano Cesare Battisti, as derrotas na Unesco, BID e OMC, entre outros.



Amorim ainda foi constrangido pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que o acusou de ter tentado ser chanceler nos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.



Celso Amorim deixou claro que o Brasil não aceita políticas isolacionistas e que o país seguirá insistindo no diálogo com todas as nações.



Honduras



O ministro reconheceu que as declarações do presidente hondurenho Porfírio Lobo são positivas, mas afirmou que faltam ações que garantam a normalidade democrática em Honduras.



Ele não disse quando o Brasil reconhecerá o novo governo e restabelecerá as relações diplomáticas.



Cuba



Amorim destacou que o Brasil defende o fim do embargo econômico à ilha como condição para a redemocratização do país.



Israel



O ministro Celso Amorim afirmou ter sido exitosa a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel, Palestina e Jordânia, e que foi à Síria a pedido do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.



Israel quer a ajuda do Brasil para normalizar suas relações com os sírios e a Jordânia é um importante ator regional.



Brasil e Israel pretendem criar um mecanismo de consultas que seja permanente com o objetivo de intensificar o diálogo sobre a crise no Oriente Médio.



Irã



De acordo com Amorim, o Brasil não pró-Irã, mas atua para evitar que equívocos como a Guerra do Iraque se repitam.



Segundo ele, o Irã não renunciará de forma alguma ao direito de enriquecer urânio, “até por que não há tratado algum que o impeça de fazê-lo”.



O ministro explicou ainda que a própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reconhece avanços na relação com o Irã e que o país pediu para enriquecer urânio a 20%.



“O Irã já sofre muitas sanções, algumas de legitimidade duvidosa, e é a população quem paga o preço dessas sanções”, afirmou.



Análise da Notícia



Marcelo Rech



Interessante observar o esforço que os partidos de oposição fazem para desgastar a imagem do governo usando os erros cometidos na condução da política externa.



E que são muitos, cabe assinalar.



No entanto, perdem a credibilidade aqueles que transformam em seus, os discursos da mídia.



A maioria dos senhores parlamentares não tem o menor conhecimento acerca do que fala.



Por exemplo: está na moda demonizar o Irã.



Suas excelências souberam acatar disciplinadamente, os conselhos e recomendações da Secretária de Estado Hilary Clinton.



Desgostosa com a posição do Itamaraty em manter a viagem de Lula a Teerã em 15 de maio, Clinton convocou os parlamentares brasileiros para que dessem uma prensa no ministro Celso Amorim.



Imediatamente, o PSDB suspendeu todas as sabatinas de embaixadores brasileiros até que o ministro das Relações Exteriores explicasse direitinho as razões do Brasil para não apoiar mais sanções ao Irã.



Em mais de 5h de audiência pública, nenhum dos senhores parlamentares questionou o chanceler sobre o que pensa o Brasil a respeito das violações por Estados Unidos e Israel, das resoluções das Nações Unidas.



Nem por um segundo, tiveram a curiosidade em saber por que Israel não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e mantém 400 bombas atômicas apontadas para seus potenciais inimigos.



No mínimo, são interessantes as observações feitas pelo ministro brasileiro que era o nosso embaixador na ONU quando o governo Bush mentiu sobre as armas químicas do Iraque e o embaixador Bustani foi defenestrado da Organização para a Proscrição das Armas Químicas.



O Brasil não aceita que erros (?) como aqueles se repitam.



Colin Powel, um militar altamente condecorado, foi ao Conselho de Segurança com documentos e fotografias produzidos pela inteligência norte-americana, defender a invasão do Iraque.



Uma farsa muito bem elaborada e costurada, mas uma farsa, uma mentira deslavada.



Até hoje, nenhuma arma química foi encontrada. Nenhuma autoridade norte-americana punida pela armação.



Sobre isso, nenhum senador quis discutir.



E nenhuma discussão é séria sem que esses pontos sejam atacados.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org



Assuntos estratégicos

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Especialistas apoiam adesão do Brasil à Convenção Internacional contra o Terrorismo Nuclear

Brasília – Com cerca de 30 instalações nucleares e 3.000 fontes de...
Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasil firma acordo para facilitar exportação de alimentos para a China

Brasília - A Agência Brasileira de Promoção de Exportações...
Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Câmara de Comércio Árabe Brasileira quer trabalhar com governo do Brasil

Brasília – Apesar do anúncio feito pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, de...
Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

Brasília – Os primeiros anúncios feitos pelo presidente da República...
CREDN realizará audiência sobre a importância da Inteligência de Estado para o Brasil

CREDN realizará audiência sobre a importância da Inteligência de Estado para o Brasil

Brasília – A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional...
Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Comunicado Conjunto dos Chanceleres da Espanha e do Brasil

Os chanceleres de Espanha, Josep Borrell, e do Brasil, Aloysio Nunes, mantiveram encontro de...
Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Declaração do G4 sobre a reforma do Conselho de Segurança da ONU

Em 25 de setembro de 2018, Sua Excelência a Senhora Sushma Swaraj, Ministra das...
Comunicado Conjunto do BRICS

Comunicado Conjunto do BRICS

Os Ministros das Relações Exteriores/Relações Internacionais do BRICS...