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Oposição ataca política externa brasileira

Oposição ataca política externa brasileira

Nesta terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, falou sobre a condução da política exterior brasileira por cerca de 5h na Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal.

A oposição elencou 25 temas que considera equívocos do Itamaraty e do governo, como o apoio ao regime cubano, ao Irã, o envolvimento na crise política de Honduras, a aliança com Venezuela e Bolívia, o refúgio do terrorista italiano Cesare Battisti, as derrotas na Unesco, BID e OMC, entre outros.

Amorim ainda foi constrangido pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que o acusou de ter tentado ser chanceler nos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.

Celso Amorim deixou claro que o Brasil não aceita políticas isolacionistas e que o país seguirá insistindo no diálogo com todas as nações.

Honduras

O ministro reconheceu que as declarações do presidente hondurenho Porfírio Lobo são positivas, mas afirmou que faltam ações que garantam a normalidade democrática em Honduras.

Ele não disse quando o Brasil reconhecerá o novo governo e restabelecerá as relações diplomáticas.

Cuba

Amorim destacou que o Brasil defende o fim do embargo econômico à ilha como condição para a redemocratização do país.

Israel

O ministro Celso Amorim afirmou ter sido exitosa a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel, Palestina e Jordânia, e que foi à Síria a pedido do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Israel quer a ajuda do Brasil para normalizar suas relações com os sírios e a Jordânia é um importante ator regional.

Brasil e Israel pretendem criar um mecanismo de consultas que seja permanente com o objetivo de intensificar o diálogo sobre a crise no Oriente Médio.

Irã

De acordo com Amorim, o Brasil não pró-Irã, mas atua para evitar que equívocos como a Guerra do Iraque se repitam.

Segundo ele, o Irã não renunciará de forma alguma ao direito de enriquecer urânio, “até por que não há tratado algum que o impeça de fazê-lo”.

O ministro explicou ainda que a própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) reconhece avanços na relação com o Irã e que o país pediu para enriquecer urânio a 20%.

“O Irã já sofre muitas sanções, algumas de legitimidade duvidosa, e é a população quem paga o preço dessas sanções”, afirmou.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Interessante observar o esforço que os partidos de oposição fazem para desgastar a imagem do governo usando os erros cometidos na condução da política externa.

E que são muitos, cabe assinalar.

No entanto, perdem a credibilidade aqueles que transformam em seus, os discursos da mídia.

A maioria dos senhores parlamentares não tem o menor conhecimento acerca do que fala.

Por exemplo: está na moda demonizar o Irã.

Suas excelências souberam acatar disciplinadamente, os conselhos e recomendações da Secretária de Estado Hilary Clinton.

Desgostosa com a posição do Itamaraty em manter a viagem de Lula a Teerã em 15 de maio, Clinton convocou os parlamentares brasileiros para que dessem uma prensa no ministro Celso Amorim.

Imediatamente, o PSDB suspendeu todas as sabatinas de embaixadores brasileiros até que o ministro das Relações Exteriores explicasse direitinho as razões do Brasil para não apoiar mais sanções ao Irã.

Em mais de 5h de audiência pública, nenhum dos senhores parlamentares questionou o chanceler sobre o que pensa o Brasil a respeito das violações por Estados Unidos e Israel, das resoluções das Nações Unidas.

Nem por um segundo, tiveram a curiosidade em saber por que Israel não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear e mantém 400 bombas atômicas apontadas para seus potenciais inimigos.

No mínimo, são interessantes as observações feitas pelo ministro brasileiro que era o nosso embaixador na ONU quando o governo Bush mentiu sobre as armas químicas do Iraque e o embaixador Bustani foi defenestrado da Organização para a Proscrição das Armas Químicas.

O Brasil não aceita que erros (?) como aqueles se repitam.

Colin Powel, um militar altamente condecorado, foi ao Conselho de Segurança com documentos e fotografias produzidos pela inteligência norte-americana, defender a invasão do Iraque.

Uma farsa muito bem elaborada e costurada, mas uma farsa, uma mentira deslavada.

Até hoje, nenhuma arma química foi encontrada. Nenhuma autoridade norte-americana punida pela armação.

Sobre isso, nenhum senador quis discutir.

E nenhuma discussão é séria sem que esses pontos sejam atacados.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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