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Mercosul

Oposição quer congelar adesão da Venezuela

Nesta terça-feira, a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, do Senado Federal, realizou a terceira audiência pública para instruir a votação do protocolo de adesão da Venezuela ao Mercosul.

Uma quarta audiência deve ser realizada em 15 dias com a presença do governador do Amazonas, Eduardo Braga e do deputado federal Neudo Campos (PP-RR), ex-governador de Roraima entre 1995 e 2002.

Também o embaixador da Guiana no Brasil, Narine Nawbatt, será convidado para falar dos conflitos territoriais com a Venezuela.

Em pouco mais de cinco horas de debate, o jurista Yves Gandra e o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer, afirmaram que não é momento para se admitir a Venezuela.

Já o embaixador do Brasil em Caracas, Antonio Simões, e a professora Maria Regina Soares (IUPERJ), deixaram claro que rejeitar o protocolo significa isolar a Venezuela do processo de integração em curso na América Latina.

O senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) defende o congelamento da tramitação do protocolo. Na sua avaliação, “não existe democracia de fato na Venezuela do coronel Hugo Chávez”.

Para Celso Lafer, Chávez possui traços nazi-fascistas que podem implodir o Mercosul. “O bloco não é um memorando de entendimento, mas um acordo comercial que impõe obrigações que a Venezuela não está cumprindo”, afirmou.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), inconformado com a estratégica da oposição, cobrou a imediata votação do parecer do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), que sequer foi apresentado.

Para Jucá, não há mais nada que possa ser acrescentado ao debate. “Os senadores estão suficientemente instruídos. É preciso que votemos logo esse acordo. É a economia que está em jogo”, explicou.

Acusado de ser o “contínuo do governo venezuelano”, pelo senador Fernando Collor, o embaixador brasileiro em Caracas, Antonio Simões, advertiu que as relações do Brasil com a Venezuela podem ser diretamente atingidas com o atraso na votação do protocolo.

Embate ideológico

“Incorporar a Venezuela ao Mercosul como membro pleno é comprometer a identidade, a eficiência e o poder de atração do bloco, como expressão de um regionalismo aberto, além de condenar um inovador projeto de integração à irrelevância e, no limite, à dissolução”, afirmou Celso Lafer.

“Parece-me que deveríamos aguardar um pouco, até que se prove que existe ali uma democracia. Enquanto isso manteríamos até 2011 os acordos comerciais que asseguram ao Brasil a projeção que tem nas relações comerciais com Venezuela, defendeu Yves Gandra.

Já para a professora Maria Regina Soares, “a recusa brasileira vai ser vista como um ato hostil à Venezuela, não há como escapar. Existe ainda a possibilidade de outros países ocuparem nichos de mercado atualmente supridos pelo Brasil”.

Antonio Simões ressaltou que as exportações brasileiras para a Venezuela passaram de US$ 1 bilhão, em 2003, para US$ 5 bilhões, em 2008. Apenas nos primeiros quatro meses deste ano, o Brasil teve um superávit de US$ 1,2 bilhão.

“Esses números não vieram apenas da competitividade das empresas brasileiras, mas sobretudo de uma decisão política da Venezuela”, advertiu.

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