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Os Estados Unidos e a América Latina

Os Estados Unidos e a América Latina

Marcelo Rech

O presidente norte-americano desembarca em Brasília no próximo sábado para cumprir uma agenda de forte teor simbólico.

Isso mesmo. Barack Obama não vem ao Brasil para fechar negócios.

A Embaixada norte-americana classifica a viagem como histórica, mas que ninguém espere alguma surpresa positiva.

O presidente dos Estados Unidos chega com uma comitiva expressiva. Mais quantidade que qualidade.

A imagem dos Estados Unidos em todo o mundo continua péssima. Não é diferente no Brasil.

O governo norte-americano – Democrata ou Republicano, tanto faz – costuma olhar para a América Latina apenas quando seus interesses são postos em perigo.

Obama não conseguiu deslanchar como líder ocidental. Toda a expectativa gerada na região após sua eleição já foi por terra há muito tempo.

Não se espera praticamente nada de Washington.

Os Estados Unidos continuam sendo um país racista, imperialista e que só estende a mão àqueles que estão dispostos a se curvarem.

Dificilmente a visita de Barack Obama marcará uma nova era no relacionamento norte-americano com a América Latina.

Além disso, ele chega a um Brasil sob nova administração.

Barack Obama que nominou Luiz Inácio Lula da Silva de “O Cara” subirá a rampa do Planalto na companhia de Dilma Rousseff, ex-guerrilheira e ideologicamente de esquerda.

Vai encontrar uma Chefe de Estado disposta a implantar uma nova forma de governar.

Uma presidente que busca resultados num país que por oito anos foi governado por um quase artista circense.

Lula e Dilma são opostos.

Ela foi ministra dele. Ele, seu antecessor.

Ela cobra e exige. Ele ria de tudo, principalmente da desgraça dos outros, inclusive da crise nos Estados Unidos.

Ele deixou um país, beneficiado pela bonança internacional, com um rombo estratosférico.

Ela parece disposta a colocar as coisas nos eixos.

Ele se acovardou na maioria das vezes. Ela já enquadrou os militares em pelo menos duas oportunidades de forma clara e veemente.

Definitivamente, Dilma não é Lula. Ela não se impressiona com a presença do presidente dos Estados Unidos.

Conversa fiada não vai levar a nada.

Dilma Rousseff quer saber qual é a de Barack Obama e Barack Obama tenta decifrar essa mulher que governa o maior país latino-americano.

Os Estados Unidos falam de aprofundar a relação, mas em termos concretos, o que isso significa?

Ok. Os dois se necessitam por razões econômicas, comerciais, políticas e estratégicas. E daí?

Daí que vão assinar uma penca de acordos, mas o que vale agora será o olho-no-olho. Se houver química, ótimo.

O resto é perfumaria.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org

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