Opinião

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14/11/2005

Terrorismo

Os Estados Unidos quatro anos após o 11 de setembro

Alvaro de Souza Pinheiro

Os impactos emocionais dos dramáticos eventos de 11 de setembro de 2001 foram significativamente implementados, em função da impressionante cobertura desenvolvida pela mídia, naquela oportunidade.

Milhões de telespectadores, em todo o mundo, absolutamente horrorizados, assistiram ao vivo e a cores às explosões e ao estrepitoso desmoronamento dos dois gigantescos edifícios.

Na capital federal, Washington, foi possível acompanhar a evacuação da população, ao mesmo tempo que era possível visualizar uma nuvem negra sobre o Pentágono, como que chamando ainda mais a atenção sobre a dramaticidade do que ali havia ocorrido.

Para os norte-americanos, além do horror pela ocorrência de mais de três mil mortes de civis não combatentes, ficou registrado em suas mentes, para todo o sempre, o simbolismo do tremendo impacto das ações realizadas.

A destruição das torres do World Trade Center foi o mais duro golpe já efetuado sobre um dos maiores centros do poder econômico-financeiro mundial. enquanto que o ataque ao Pentágono foi o mais impressionante já desencadeado sobre o maior e o mais carismático centro de poder militar do mundo.

Com relação à propagação do impacto emocional, não há como se negar um certo sentido de ironia, em função de uma tremenda idiossincrasia. Simultaneamente com um traumático sentimento de terror, impotência e consternação, vivenciava-se, naquele momento, uma das maiores demonstrações de pujança da tecnologia da informação, que tem nos EUA, o seu mais desenvolvido nicho.

Desde então, não mais ocorreram atentados terroristas dessa natureza no território norte-americano. Das centenas de indivíduos suspeitos de envolvimento em ações terroristas, presos nos últimos dois anos, muito poucos foram considerados como reais ativistas, capazes de levar adiante ações de maior monta.

E na medida em que outros atentados, assumidos pela Al Qaeda, atingiram outras cidades importantes do mundo ocidental, como foi o caso de Madrid e Londres, destacam-se no contexto, questões extremamente sensíveis.

Por que a Al Qaeda não mais atacou os EUA? Osama Bin Laden e seus seguidores perderam a capacidade de fazê-lo?

Nos meses após setembro de 2001, investigações conduzidas com grande profundidade evidenciaram, contundentemente, o quanto os EUA eram vulneráveis naquele momento.

Inúmeras constatações comprovaram tal fato. Um exemplo significativo é que os terroristas suicidas, que assumiram o comando das aeronaves naqueles atentados, desenvolveram todo o seu treinamento, com enorme facilidade, em empresas aéreas norte-americanas.

Outro exemplo é que dentre as inúmeras prisões feitas após os atentados, muitos indivíduos suspeitos de ligações com a Al Qaeda tinham obtido licenças de motoristas para dirigir caminhões transportadores de material inflamável altamente explosivo.

Centenas de vezes, por semana, caminhões de grande tonelagem conduziam explosivos, combustível, materiais radioativos, e agentes químicos industriais letais de natureza diversificada para todas as partes dos EUA.

Se um terrorista, cumprindo as orientações técnicas da Al Qaeda levasse uma dessas viaturas e seu carregamento letal até uma área densamente povoada, certamente, provocaria uma imensa tragédia, de conseqüências imprevisíveis.

Por isso, após o fatídico 11 de setembro, a cessão das permissões para motoristas dirigirem viaturas dessa natureza passou a ser muito mais exigente.

Da mesma forma, incrementou-se a monitoração eletrônica dos caminhões, inclusive por meio de satélites, possibilitando um controle cerrado e criterioso, incluindo o estabelecimento de ligações emergenciais com os diferentes organismos de segurança pública por parte das empresas despachantes.

A Al Qaeda tem divulgado seus manuais, valendo-se de seus contatos clandestinos diversificados em mais de 50 países em todo o mundo. O conteúdo das informações é de caráter eminentemente prático e didático, a respeito de como planejar e conduzir atentados terroristas.

Uma das orientações básicas é que os potenciais alvos devem ser meticulosamente selecionados e criteriosamente avaliados. E que os ataques só devem ser realizados quando a avaliação indicar que há significativa probabilidade de certeza na obtenção do sucesso.

Daí porque muitos dos suspeitos presos, durante os últimos dois anos, em solo norte-americano, estavam “apenas olhando”.

Não resta dúvida que a grande maioria dos muçulmanos, vivendo nos EUA, são cidadãos leais. E é a partir de suas informações que se faz possível a prisão de elementos suspeitos, antes que perpetrem algum atentado.

Mas o fato é que não são necessários mais do que uma dúzia de fanáticos fundamentalistas para planejar, organizar e conduzir uma ação maior dessa natureza. Todavia, não basta apenas a existência de voluntários.

O que fez da Al Qaeda uma organização tão eficazmente perigosa, foi, sobretudo, a sua capacitação em treinar pessoal, tanto ao vivo, nos campos de treinamento clandestinos, quanto, virtualmente, por meio da internet, na transmissão de instruções que, efetivamente, possibilitam a formação de especialistas dotados de grande expertise, sobretudo na arte de preparar e acionar artefatos explosivos improvisados nas mais variadas situações.

Entretanto, o rápido sucesso obtido na eliminação das células talibãs, na Campanha do Afeganistão, bem como o intercâmbio, cada vez mais ativo, entre os diversos organismos de segurança internacionais, numa verdadeira caçada aos terroristas mais conhecidos, reduziu sobremaneira a capacidade da Al Qaeda de desdobrar seus experts ao redor do mundo, e muito particularmente, nos EUA.

De qualquer forma, o que não falta nos EUA é um grande número de alvos potenciais, passíveis de atentados terroristas. As autoridades de segurança norte-americanas estão perfeitamente cientes de que as organizações fundamentalistas apostam num processo de conflito assimétrico, cuja maior fundamentação é o compromisso com resultados a longo prazo.

Basta observar-se uma síntese histórica das ações no território continental norte-americano para comprovar-se tal fato. O primeiro grande atentado foi em 1993. Um caminhão bomba, nas garagens subterrâneas do New York City’s World Trade Center, foi desativado em cima da hora da detonação.

No ano seguinte, na mesma cidade, outra célula foi desmantelada enquanto preparava outra ação tendo por base outra viatura carregada de explosivos.

Foi efetivamente uma grande pressão do FBI que manteve as células da Al Qaeda, nos EUA, fora de ação por toda a década de 90. Todavia, um planejamento criterioso e muito bem coordenado os trouxe de volta em 2001, numa execução plena de sucesso.

Os profissionais norte-americanos da área de segurança, extremamente preocupados e em permanente estado de alerta, entendem que a pior hipótese, infelizmente, se apresenta como a mais provável. Com certeza, eles voltarão e tentarão de novo.

A verdade é que, na atualidade, as medidas conseqüentes de uma revisão crítica das vulnerabilidades, que permitiu o êxito terrorista de 11 de setembro de 2001, estão em pleno curso de implementação.

Alguns aspectos merecem destaque. A criação do Department of Homeland Security, ativou uma agência de alto nível responsável pela condução da coordenação e controle nas situações emergenciais de crise.

Criou-se o cargo de Director of National Intelligence, visando a integração das dimensões interna e externa da inteligência e a implementação do entrosamento entre os organismos de segurança nacional e de segurança pública.

As 13 agências de inteligência norte-americanas [civis e militares] estão aprimorando cada vez mais [ainda que com alguma dificuldade] a sua integração. e o intercâmbio do sistema de inteligência norte-americano com os sistemas de nações amigas está cada vez mais cerrado.

O unilateralismo político de George Bush, que, no episódio da invasão do I

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