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Diplomacia

20 de outubro de 2010
por: InfoRel

Marcelo Rech



A onze dias do segundo turno das eleições presidenciais aumentam as apostas quanto aos rumos da política externa brasileira.



Qualquer que seja o eleito acredito que pouca coisa deve mudar.



O Brasil não voltará atrás no processo de integração regional anulando acordos com países como Bolívia, Cuba, Equador e Venezuela, por conta de seus regimes de esquerda.



A oposição promete auditar os acordos que envolvem a liberação de recursos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e atuar com maior rigor quanto aos compromissos assumidos pelos vizinhos.



Nos quase oito anos de governo, Lula priorizou o entorno geográfico, foi à África e abriu caminhos na Ásia e no Oriente Médio.



Tudo sem abrir mão das relações com os Estados Unidos e a União Européia.



Em tese, as linhas gerais da política exterior serão mantidas.



Provavelmente, o diálogo político sofrerá uma e outra mudança mais significativa.



Para mais ou para menos, muita coisa dependerá de quem vier a ocupar a cadeira de Celso Amorim.



O chanceler que poderá inclusive continuar no cargo caso a ex-ministra Dilma Roussef seja eleita.



Amorim vestiu a camisa petista e foi um dos mais fiéis ao lulismo.



Ele poderia permanecer pelo menos nos dois primeiros anos da nova administração.



Conversas neste sentido já foram realizadas. Espera-se pelo fim da agonia para que o tom alcance outro patamar.



Importante destacar que Celso Amorim já superou José Maria da Silva Paranhos, o Barão do Rio Branco, que foi chanceler de quatro presidentes entre 1902 e 1912.



Além dele, as opções caso a situação vença o pleito, são o Secretário-Geral do ministério das Relações Exteriores, Antônio Patriota, o ex-embaixador do Brasil em Caracas, Antônio Simões e a ex-embaixadora no Vaticano, Vera Machado.



Patriota foi embaixador nos Estados Unidos onde tentou mostrar serviço junto ao Departamento de Estado, oferecendo-se para dialogar com Cuba.



Ele trabalha para substituir o atual chefe que, por sua vez, anda descontente com sua atuação.



Simões foi condecorado por Hugo Chávez pelos esforços pessoais que fez quando o Senado ameaçava derrubar o Protocolo de Adesão da Venezuela ao Mercosul.



Convenhamos, lidar com o presidente da Venezuela não é tarefa das mais simples.



Vera Machado costurou o acordo entre o Brasil e o Vaticano que tantas dores de cabeça provocaram ao governo por conta da pressão de outras religiões.



Há ainda o nome de Roberto Jaguaribe, filho de Hélio Jaguaribe e embaixador em Londres. Ele foi um dos principais articuladores da aproximação entre o Brasil e o Irã.



Caso a oposição retorne ao poder, o principal nome de Serra para o cargo é o de Rubens Barbosa que foi embaixador em Washington.



Ligado à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Barbosa tornou-se um dos principais críticos da política externa de Lula.



Sérgio Amaral, ex-porta-voz de Fernando Henrique Cardoso e que ocupou a embaixada brasileira em Paris, é outra opção.



Surge ainda o nome de Roberto Abdenur, que também conduziu a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.



Como as eleições não foram resolvidas no primeiro turno, muitos planos tiveram de ser rapidamente adaptados.



Com isso, as especulações aumentaram e há muita gente “plantando” nomes na imprensa e no próprio Itamaraty para ver se descolam um futuro mais promissor.



Enquanto isso, a comunidade internacional segue apostando no profissionalismo da diplomacia brasileira que será capaz de colocar-se acima de nomes e ideologias.



Será?



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org



 

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