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11/01/2017
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11/01/2017

Corrupção

Países da região apertam o cerco contra Odebrecht

Brasília – A construtora brasileira investigada na Operação Lava Jato começa a sentir o peso de suas ações também no exterior. No Peru, a Procuradoria Anticorrupção convocará mais de 75 pessoas, incluindo ex-presidentes do país, para esclarecer as denúncias de pagamento de subornos por parte da companhia. Na República Dominicana, o Procurador-Geral Jean Alain Rodríguez cobra a devolução de US$ 92 milhões de funcionários dominicanos, pagos pela Odebrecht para conseguir contratos no país.

No Panamá, a empresa também é alvo de investigações e documentos dos processos que correm no Brasil já foram solicitados pelas autoridades locais. A Força-Tarefa da Lava Jato também pretende acompanhar essas investigações que podem atravessar o Atlântico e respingar na África.

O Procurador-Geral do Equador, Galo Chiriboga, também solicitou à Espanha gestionar uma declaração do advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Duran, cidadão hispano-brasileiro, que está preso em Madri, sobre o pagamento de subornos a funcionários equatorianos.

Também o governador de Miranda, Venezuela, Henrique Capriles, um dos principais líderes da oposição naquele país, teria sido citado no esquema de pagamentos de subornos por parte da Odebrecht. Ele reconheceu que a empresa realizou obras no estado, mas antes de sua gestão.

Peru

Em Lima, a Procuradoria Anticorrupção decidiu ampliar a denúncia contra Marcelo Odebrecht, Jorge Simões Barata e Eduardo Monteverde. Julia Príncipe, presidente do Conselho de Defesa Jurídica do Estado, confirmou a decisão. Segundo ela, a ampliação da denúncia inclui também todos os funcionários e servidores públicos que resultem responsáveis neste caso.

Jorge Simões Barata tem sido investigado por uma comissão do Congresso peruano. Trata-se do principal funcionário da Odebrecht no Peru encarregado dos principais contratos da empresa no país.

Já Eduardo Monteverde seria a pessoa responsável pela criação de empresas fantasmas cujo objetivo principal era lavar quase US$ 30 milhões que a Odebrecht teria utilizado para o pagamento de subornos no Peru.

Entre as pessoas que serão chamadas para depor estão ex-presidentes do Peru, ex-ministros de Estado, ex-presidentes do Congresso, ex-governadores e ex-prefeitos. Ollanta Humala, Alan Garcia e Alejandro Toledo terão de dar explicações a respeito dos contratos obtidos pela empresa em suas respectivas gestões, assim como os ex-ministros Jorge Merino, René Cornejo e Pedro Pablo Kuczynski, agora presidente do Peru.

A Odebrecht já admitiu que pagou subornos a altos funcionários peruanos entre 2005 e 2015, para ganhar os contratos das principais obras de infraestrutura naquele país.

República Dominicana

Nesta terça-feira, 10, o Procurador-Geral recebeu o gerente-geral da Odebrecht no país, Marcelo Hofke, com o objetivo de obter mais informações acerca do pagamento de subornos por parte da empresa brasileira à funcionários dominicanos. As investigações apontam que até o momento, cerca de US$ 92 milhões foram entregues em troca de contratos para obras no país.

Jean Alain Rodríguez e a diretora da Procuradoria Especializada de Perseguição da Corrupção Administrativa (PEPCA), Laura Guerrero Pelletier, tentavam ouvir Hofke desde dezembro, sem sucesso.

As investigações ganharam fôlego depois que a empresa declarou ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter pago subornos durante durante os governos dominicanos de Hipólito Mejía (2000-2004), Leonel Fernández (2004-2012) e Danilo Medina (2012-2016).

Equador

Galo Chiriboga identificou o advogado Rodrigo Tacla Duran como “a pessoa que conhece a fundo todas as atividades que a Odebrecht realiza não apenas no Brasil, mas em vários países, incluído o Equador”.

Duran foi preso em novembro passado pela Guarda Civil espanhola. Ele é suspeito de realizar importantes operações de lavagem de dinheiro e pagamento de subornos.

Um documento do Departamento de Justiça norte-americano, de dezembro passado, revela que a empresa brasileira pagou entre 2007 e 2016, cerca de US$ 33,5 milhões a funcionários equatorianos, mesmo tendo problemas para aprovar projetos no país entre 2007 e 2008.

Também está sob suspeita a obra que a Odebrecht realiza com a Acciona da Espanha na construção de um trecho do metrô de Quito, por US$ 1,5 bilhão.

Venezuela

Henrique Capriles, governador do estado de Miranda e ex–candidato presidencial na Venezuela, foi quem informou sobre a citação do seu nome por um caso de corrupção que envolve a Odebrecht naquele país. Segundo ele, “pretendem me sujar no caso da Odebrecht. Pretenderam meter-me nisso e tenho todos os detalhes de que a empresa trabalhou com o governo de Miranda antes da minha gestão”, afirmou.

Ele acusou a Controladoria-Geral da Venezuela de aliar-se ao governo Maduro para acusá-lo. Na sua avaliação, o governo venezuelano busca vingar-se do seu trabalho a favor de um referendo revocatório do mandato presidencial.

A Odebrecht e sua filial Braskem aceitaram pagar multas de US$ 3,5 bilhões aos Estados Unidos, Suíça e Brasil por conta do seu sistema de subornos. A empresa admitiu ter pago cerca de US$ 800 milhões em subornos para obter contratos para mais de 100 projetos em 12 países (Angola, Argentina, Brasil, Colômbia, República Dominicana, Equador, Guatemala, México, Moçambique, Panamá, Peru e Venezuela).

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