Relações Exteriores

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04/12/2005
Política
05/12/2005

Seminário Internacional

Palavras de abertura

Jorge Armando Félix

Que as primeiras palavras, em meu nome e no do Dr. Buzanelli, Diretor-Geral da Agência Brasileira de Inteligência, sejam de agradecimento pela presença de todos. Desde o início, quando do planejamento do evento, não tínhamos dúvida sobre a relevância do tema.

Apesar disso, fomos surpreendidos pelo interesse despertado pelo assunto. O título: “A Atividade de Inteligência e os Desafios Contemporâneos” tangencia uma variedade enorme de matérias e mesmo o maior auditório da Agência Brasileira de Inteligência não permitiu inscrever todos os que desejaram participar do seminário.

Em especial, cabe mencionar os demais integrantes da mesa nesta cerimônia de abertura: o senhor presidente da Câmara dos Deputados, deputado Aldo Rebelo, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputado Aroldo Cedraz e o Juiz Federal doutor Sérgio Moro, além das demais autoridades, membros do Corpo Diplomático, governo, academia, estudiosos, parceiros, todos enfim que abrilhantam e dão prestígio ao nosso evento.

Além de nos honrarem com as suas generosas presenças, também sublinham, mais uma vez, a importância do evento.

Gostaria, também, de agradecer aos representantes da África do Sul, Argentina, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Portugal, Romênia e Rússia, bem como aos nossos mediadores, que de uma forma ou outra deixaram seus afazeres nesta época importante do ano e estão aqui para nos ajudar.

E aos nossos amigos da Radiobrás, Fundação Bradesco, NEXTEL e NETSUL que com o seu apoio permitiram a realização deste encontro.

No seminário que ora se inicia pretendemos discutir a atividade de inteligência e promover o compartilhamento de idéias e experiências entre países, a fim de obtermos subsídios para o aprimoramento dessa atividade, por meio da realização de painéis.

Acreditamos que as questões que consideramos centrais na discussão da atividade serão abordadas nesses painéis: as relações entre as agências, dentro dos países e entre os serviços dos diversos países, as ameaças atuais, difusas, diversificadas, multifacetadas, transfronteiriças e que não respeitam nem mesmo o instinto natural de sobrevivência, a extrema valorização do hedonismo a qualquer preço, a sociedade da informação, seus efeitos e vulnerabilidades, a necessidade dos nossos serviços de protegerem os Estados sem serem usados pelos governos, a relação entre competência humana e valorização demasiada da tecnologia, a proteção às empresas estratégicas e o controle externo da atividade, entre tantas questões que nos preocupam.

Para responder a essas e outras interrogações consideramos que a palavra chave é compartilhar. Compartilhar idéias, compartilhar informações, compartilhar boas práticas.

E isso só é possível quando o relacionamento entre pessoas e serviços se fundamenta na ética, na confiança, no profissionalismo e na definição de ameaças e de objetivos comuns.

A presença de tantos representantes da área acadêmica, que têm também acompanhado nossos diversos encontros de estudos dos três últimos anos, nos lembra da importância do relacionamento com nossas universidades e com a área empresarial, quer para a proteção do conhecimento estratégico, quer para permitir a evolução de conceitos, de equipamentos e de técnicas.

A proteção da sociedade como atribuição da inteligência exige integração, aceitação e a participação dessa sociedade.

Vivemos em um mundo cheio de perigos e também repleto de maravilhosas oportunidades para resgate dos valores básicos da humanidade e para construirmos sociedades mais justas e mais felizes.

Faz parte do nosso papel e das nossas obrigações. E, certamente, juntos poderemos fazê-lo mais depressa e melhor.

Agradeço mais uma vez a honrosa presença de todos e tenho a certeza que faremos um bom trabalho nestes dois dias. Deixo aos tradutores a tarefa de traduzir melhor as palavras de Hannah Arendt, sempre muito atuais que expressam a idéia de que “os fins não podem mais justificar o uso de quaisquer meios”.

“Somos talvez a primeira geração a adquirir plena consciência das conseqüências fatais de um modo de pensar que nos força a admitir que todos os meios, desde que sejam eficazes, são permissíveis e justificados quando se pretende alcançar alguma coisa que se definiu como um fim”.

Hannan Arendt [1906-1975]

Jorge Armando Felix é general do Exército e ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da presidência da República [GSI/PR]

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