VI ENEE
08/11/2006
Especialista cobra medidas regionais de segurança
08/11/2006

Panorama de segurança regional preocupa

Panorama de segurança regional preocupa

Na tarde desta quarta-feira, os professores Alcides Costa Vaz e Antonio Jorge Ramalho, da Universidade de Brasília, e Rafael Duarte Villa, da USP, debateram o tema “O papel do Brasil na segurança internacional”, um dos eventos que marcaram a abertura do VI Encontro Nacional de Estudos Estratégicos que é realizado na Escola de Guerra Naval.

Na opinião de Rafael Villa, existem dois projetos de segurança na região, um imposto pelos Estados Unidos e outro pelo Brasil. Os Estados Unidos têm especial preocupação com relação ao narcotráfico e à produção de drogas como componente de insegurança, visão que encontra oposição do Brasil.

“Para o Brasil, a questão do narcotráfico deriva de um desenvolvimento incompleto”, explicou Villa. Ele reconheceu que a região sofre com ameaças novas e não corre risco de militarização, desde o ponto de vista dos militares alimentarem ambições políticas.

“As ameaças que se percebem na região estão ligadas ao narcotráfico, que afeta os países andinos e é problemático junto às fronteiras brasileiras; possibilidade de desintegração estatal e ingovernabilidade em alguns países como Colômbia e Equador”, afirmou.

O papel do Brasil

De acordo com Rafael Villa, o Brasil mantém uma postura meramente reativa no contexto dos conflitos regionais. “Os problemas surgem e o Brasil reage. Não é uma postura propositiva. Com isso, os Estados Unidos acabam interferindo onde o Brasil deveria atuar”, disse ao exemplificar que dessa postura nascem medidas norte-americanas como o Plano Colômbia, a instalação de bases militares da região, a imposição de políticas anti-drogas e a criação de postos avançados militares nos países vizinhos ao Brasil.

“Como principal país da região, o Brasil deveria dotar alternativas concretas aos problemas comuns da região. Não basta exercer uma liderança em sua política externa. É necessário oferecer cooperação nas questões de segurança”, destacou.

Quanto a uma possível corrida armamentista, Rafael Villa se mostrou preocupado. Chile e Venezuela estão adquirindo equipamentos militares de última geração, o que, na sua avaliação, pode gerar uma série de questionamentos dos vizinhos sul-americanos.

“Por outro lado, não podemos ignorar que existem rivalidades históricas entre vários países da América do Sul. E isso pode gerar uma mini-corrida armamentista que representaria um retrocesso quanto ao processo de geração de confiança”, advertiu.

Venezuela

Ele acredita que uma corrida armamentista regional gestada a partir do protagonismo da Venezuela, pode desencadear desconfianças e insegurança que justifiquem uma intervenção dos Estados Unidos na região.

“O caso da Venezuela cria uma espécie de ruptura, porque o país não compra dos Estados Unidos, o que acaba com a reserva de mercado para produtos militares”, concluiu.

Ele entende que essa possível intervenção norte-americana se daria a partir de países aliados como Colômbia e Chile que não apoiou a Venezuela na briga por um assento rotativo no Conselho de Segurança da ONU.

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