Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 07h49

Diplomacia

15 de julho de 2015
por: InfoRel
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BrasíliaA visita do Papa Francisco à Bolívia, Equador e Paraguai, na semana passada, reacendeu a rivalidade entre bolivianos e chilenos por conta da demanda marítima que La Paz leva a cabo na Corte de Haia, contra o Chile. As declarações do Pontíficie serviram de combustível para o governo de Evo Morales abrir uma nova frente internacional para angariar apoios em sua obsessão por conquistar uma saída ao Pacífico para a Bolívia.



As declarações do líder da Igreja Católica em defesa de uma saída marítima para a Bolívia, serão utilizadas por muito tempo tanto na política interna como externa do país. O tema será expolorado em Brasília durante a Cúpula do Mercosul, que começa nesta quinta-feira, 16.



Primeiro, pelo chanceler David Choquehuanca, e depois pelo presidente Evo Morales. Para os bolivianos, o tema ganha novo impulso com a defesa  do pontíficie de que a polêmica seja resolvida por meio do diálogo. Para a Bolívia, o Chile não quer conversa sobre o assunto.



Enquanto isso, o ministro de Relações Exteriores do Chile, Heraldo Muñoz que já foi embaixador no Brasil e nas Nações Unidas, pediu prudência ao Papa Francisco em suas declarações sobre a demanda marítima boliviana e reclamou da postura de La Paz ao impor condições para que as relações diplomáticas tenham seguimento.



Para os chilenos, a Bolívia trata de polemizar com o objetivo de impedir uma solução diplomática para a questão. O governo da presidente Michele Bachelet entende que Santiago e La Paz não podem dialogar pelos meios de comunicação e menos ainda, romper relações, pois somente com os canais abertos e disposição, será possível construir uma alternativa positiva para o problema.



É possível que o Chile também trate o tema durante a Cúpula do Mercosul em Brasília.



Brasil



Já o Brasil prefere manter-se distante da polêmica. Como o assunto está na Corte Internacional de Justiça, o Itamaraty prefere acreditar que a solução deva ser técnica e não política, e que o resultado será respeitado pelas partes.



No entanto, o tema é muito mais delicado do que parece. O Planalto não quer saber de declarações que possam irritar Evo Morales. Sabem que o presidente boliviano tem armas pesadas para retaliar, como reduzir ou impedir a exportação do gás natural que abastece a indústria nacional.



Por outro lado, há preocupação no Chile com um possível apoio político brasileiro à Bolívia. Recentemente, Evo Morales e o ex-presidente Lula encontraram-se no Acre, quando trataram do assunto. Não restam dúvidas que do ponto de vista econômico-comercial, a Bolívia é um parceiro muito mais importante que o Chile neste momento. Pelo menos na visão do governo brasileiro.



Além disso, o Brasil acompanha de perto a aproximação entre a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB Corporación) e o governo do Peru para iniciar em breve as provas de envio de gás liquefeito de petróleo para a cidade de Juliaca.



Nesta segunda-feira, 13, foi realizada a segunda reunião do Comitê Técnico Binacional de Hidrocarbonetos entre Peru e Bolívia. Nesta terça, 14, e na quarta, 15, serão realizadas reuniões em Santa Cruz entre a YPFB e a Petropar do Paraguai. Esses diálogos e acordos visam reduzir a dependência boliviana da exportação do gás apenas para o Brasil, o que pode implicar na redução do volume exportado para a indústria nacional.


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