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Fronteiras

Para as Forças Armadas, as Farc sempre se constituíram numa ameaça

Brasília – “Para as Forças Armadas, as Farc sempre se constituíram numa ameaça, inclusive por conta de milícias de índios brasileiros nas fronteiras da Colômbia e Peru que teriam recebido treinamento da guerrilha”, afirmou o general de brigada do Exército brasileiro, Valmir Azevedo, durante o debate Farc no Brasil: mito ou realidade?, promovido pelo Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa nesta terça-feira, 10.

Na sua avaliação, a América do Sul lida com a vigência do crime organizado em grande escala, cujo polo de incremento é o tráfico de drogas e a pulverização de suas ações, inclusive o contrabando de armas. “Assim, a ação de bandos armados que atuam em países vizinhos, nos lindes da Amazônia brasileira, e o crime organizado internacional são alguns dos pontos a provocar preocupação”, explicou o militar.

Com a experiência de quem comandou uma brigada na fronteira com a Colômbia, o general revelou que na comunidade de Campo Alegre em São Paulo de Olivença (AM), há 300 milicianos.

O interesse das Farc seria pelo fortalecimento de um grupo paramilitar aliado e por ter em suas fileiras índios ticunas.

“Durante dois anos e meio, envidamos todos os esforços para coletar informações sobre as Farc, suas posições, seus movimentos, sempre reforçando os pelotões, inclusive com armamento pesado. Mantínhamos uma rede de ribeirinhos como os olhos da brigada”, afirmou Azevedo.

Para o especialista britânico Andy Webb Vidal também presente no debate, a tendência atual é que as Farc incrementem os negócios na Venezuela, Panamá, Equador, por conta da economia dolarizada e a necessidade de lavar dinheiro, Peru e Brasil. “Além da cocaína, a mineração e o contrabando de gasolina da Venezuela são extremamente lucrativos para as Farc”, destacou.

Andy também destacou que o Brasil é um dos países mais afetados pelos negócios das Farc. Segundo ele, “o Brasil tem muito peso e deveria estar presente nas negociações de Paz em Havana, assim como os Estados Unidos e o México por serem os três, alguns dos principais consumidores de drogas, mas ninguém fala do Brasil”.

Já para Marcus Reis, especialista em terrorismo, narcotráfico e crime organizado, “o grande problema é que o Brasil não assume que as Farc são um problema”.

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