Brasília, 20 de novembro de 2019 - 13h53
Para CNI, acordo MERCOSUL - União Europeia é o mais importante da história do país

Para CNI, acordo MERCOSUL - União Europeia é o mais importante da história do país

28 de junho de 2019 - 19:30:52
por: Marcelo Rech
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Brasília - A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera o acordo entre MERCOSUL e União Europeia o mais importante tratado de livre comércio que o Brasil já firmou, pois abre o mercado europeu para bens agrícolas industriais e prestadores de serviços brasileiros. Após 20 anos de negociações, o acordo foi fechado nesta sexta-feira, 28, em Bruxelas, na Bélgica.

De acordo com a CNI, assim que for internalizado, os produtos nacionais passarão a ter acesso preferencial a 25% do comércio do mundo com isenção ou redução do imposto de importação. Atualmente, eles só entram, nessas condições, em 8% dos mercados internacionais.

O acordo reduz, por exemplo, de 17% para zero as tarifas de importação de produtos brasileiros como calçados e aumenta a competitividade de bens industriais em setores como têxtil, químicos, autopeças, madeireiro e aeronáutico.

Estudo da CNI indica que, dos 1.101 produtos que o Brasil tem condições de exportar para a União Europeia, 68% enfrentam tarifas de importação ou quotas. Além disso, dados da indústria mostram que o agronegócio consome R$ 300 milhões em bens industrializados no Brasil para cada R$ 1 bilhão exportado.

“Esse acordo pode representar o passaporte para o Brasil entrar na liga das grandes economias do comércio internacional. Cria oportunidades de exportação devido à redução de tarifas europeias, ao mesmo tempo que abre o mercado brasileiro para produtos e serviços europeus, o que exigirá do Brasil aprofundamento das reformas domésticas. O importante é que essa mudança será gradual, mesmo assim as empresas devem começar a se adaptar a essa nova realidade”, afirmou o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade.

Para os países do MERCOSUL, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, o acordo prevê um período de mais de uma década de redução de tarifas para produtos mais sensíveis à competitividade da indústria europeia. No caso europeu, a maior parte do imposto de importação será zerada tão logo o tratado entre em vigor. O acordo cobre 90% do comércio entre os blocos.

Os dois blocos formarão uma área de livre comércio que soma US$ 19 trilhões em Produto Interno Bruto (PIB) e um mercado de 750 milhões de pessoas. A depender do movimento europeu de abertura de seu mercado agrícola, o acordo pode agregar US$ 9,9 bilhões às exportações do Brasil para a União Europeia, segundo cálculos da CNI. Um aumento de 23,6% em dez anos, com potencial de gerar 778,4 mil empregos.

Na avaliação da indústria, esse aumento nas exportações não é trivial. Entre 2012 e 2016, as exportações brasileiras para os europeus caíram de US$ 49,1 bilhões para US$ 33,4 bilhões. Registrou leve recuperação em 2017 e encerrou 2018 em US$ 42,1 bilhões. Desse total, 56% foram de bens industrializados.

Fiesp

Em nota oficial, Fiesp e Ciesp consideram o fato um marco histórico

O tratado comercial entre MERCOSUL e União Europeia (UE), anunciado nesta sexta-feira (28/6), após 20 anos de negociação, é um marco histórico, pois trata-se do maior acordo de liberalização do comércio já feito no âmbito do MERCOSUL.

O acordo cria um mercado de 730 milhões de consumidores, com um PIB agregado de US$ 21,2 trilhões. O tratado incentivará investimentos europeus no Brasil e acesso às inovações tecnológicas.

A Fiesp atuou diretamente em prol das negociações desde o seu início, e mais fortemente após o seu relançamento, em 2010. Aguardamos a divulgação dos detalhes finais do acordo para avaliarmos o impacto em cada um dos setores da nossa economia.  Acreditamos que o governo brasileiro tem, agora, uma obrigação ainda maior de reduzir o custo Brasil para que as empresas que produzem em nosso país tenham condições isonômicas de competir com as europeias e, assim, aproveitar a oportunidade histórica que se abre a nossa frente.

Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)