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Comunicado Conjunto MERCOSUL
21/12/2017

Paraguai assume MERCOSUL e foco estará na Bolívia e Venezuela

Brasília – O Paraguai assumiu nesta quinta-feira, 21, a presidência pro tempore do MERCOSUL durante a 51ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo realizada no Itamaraty. Apesar da prioridade estar voltada ao acordo de livre comércio com a União Europeia, o foco dos países fundadores do MERCOSUL está voltado às situações políticas na Bolívia e Venezuela.

A situação política, especialmente na Venezuela foi destaque nas reuniões privadas. A realização da Cúpula do MERCOSUL coincide com a decisão do presidente Nicolás Maduro de aprovar na Assembleia Constituinte, uma resolução para excluir os partidos de oposição das eleições presidenciais de 2018.

Diferentemente das outras vezes, Caracas não se manifestou em relação ao encontro do MERCOSUL e também não foi citada nos documentos oficiais e declarações dos Chefes de Estado. No entanto, a tensão continua e a Venezuela não tem data para retornar ao bloco.

Enquanto isso, os movimentos de Evo Morales para disputar indefinidamente as eleições presidenciais na Bolívia segue no radar de Argentina, Brasil e Paraguai. Como Estado Associado, a Bolívia participa das cúpulas do MERCOSUL, mas sua adesão como membro pleno segue travada na Câmara dos Deputados do Brasil.

O grande temor, inclusive do Uruguai cujo governo de esquerda é considerado aliado de La Paz e Caracas, é que Evo Morales e Nicolás Maduro dificultem as negociações dos acordos extrarregionais do MERCOSUL e tentem contaminar ideologicamente o bloco.

Por conta disso, a Argentina pretende deixar a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) e já houve o esvaziamento da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), cuja cúpula anual não será realizada em janeiro de 2018.

O evento deveria ser realizado em El Salvador, país que preside o organismo, mas por conta da polarização regional em torno da crise política na Venezuela, foi cancelado e será substituído por uma reunião de ministros de Relações Exteriores que acontecerá entre 21 e 24 de janeiro em Santiago, Chile.

A crise na Venezuela também impediu que a Cúpula CELAC – União Europeia fosse realizada em outubro em São Salvador.

MERCOSUL

Na Cúpula realizada em Brasília, foram assinados dois acordos nas áreas de direito do consumidor e liberação de compras governamentais. Ao transmitir a presidência do bloco ao colega Horacio Cartes, o presidente brasileiro Michel Temer se disse otimista em relação ao acordo com a UE que estava previsto para ser assinado neste ano.

Segundo ele, “está tudo muito preparado para que agora, sob a presidência do Paraguai, o MERCOSUL consiga fechar em definitivo o acordo com a União Europeia, que é algo que data de mais de 22 anos”. Temer afirmou que é a primeira vez em 20 anos que a perspectiva de conclusão do acordo é realista.

Já o Paraguai comemora o fracasso. O país queria estar na presidência do bloco sul-americano quando o TLC fosse assinado. A expectativa é que os entendimentos avancem e o texto seja finalmente firmado no primeiro semestre de 2018.

“Temos razão de sobra para comemorar essa nossa obra comum. Juntos resgatamos a vocação original do MERCOSUL para o livre mercado, para a democracia, para os direitos humanos. Recobramos a vitalidade, o dinamismo deste que é nosso principal projeto de integração. Progredimos em todas as frentes na eliminação de barreiras ao comércio, nas negociações com parceiros externos e na defesa dos valores democráticos”, afirmou Michel Temer.

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