Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 04h35

Paraguai: dois pesos e duas medidas

22 de abril de 2013
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial de Assunção



O Paraguai é um país pequeno com pouco mais de seis milhões de habitantes e muito pobre. No centro da capital se encontram crianças desnutridas e pais desesperançados. Um dos bairros mais miseráveis da capital, Banhado, fica entre a sede do Parlamento e a chamada Costaneira, uma ampla avenida que costeia o rio Paraná desde o porto e que está sendo transformada em um moderno ponto de lazer.



Da janela de qualquer gabinete parlamentar é possível enxergar uma realidade que cobra soluções urgentes. Em 2008, Fernando Lugo, um bispo católico tornou-se a tábua de salvação desses paraguaios, mas, embriagado pelo poder, frustrou a todos e jogou na lata do lixo uma rara oportunidade de mudar a realidade nacional.



Os paraguaios são nacionalistas, conservadores e orgulhosos, e são inteligentes também. Sabem que o país está caindo aos pedaços e que por isso, Brasil e Argentina o tratam de forma humilhante.



Há muitas críticas à forma como, especialmente o Brasil, trata o Paraguai. E há certeza de que esse tratamento soberbo se dá porque o país é pobre. Afirmam que a Venezuela recebe outro tipo de tratamento por ser um país rico com 40 milhões de consumidores.



Em geral, o Brasil é acusado de adotar dois pesos e duas medidas nas relações com seus vizinhos, o que alimenta ressentimentos e nutre um ódio silencioso que vai se expandindo de uma ponta à outra do país. Percebe-se que, ao mesmo tempo em que o Brasil é admirado por sua pujança, é odiado por não fazer o que o Paraguai considera ser sua obrigação.



Com todas as denúncias que pesam sobre seu passado, Horácio Cartes na verdade é produto de tudo isso e mais um pouco. Talvez, o principal responsável pelo retorno dos Colorados ao poder seja Fernando Lugo. Hoje, a esquerda representa a terceira força política do país, algo irrisório para quem chegou ao poder há cinco anos com mais de 700 mil votos.



Lugo pode nem mesmo assumir o mandato de senador. Aliás, esta probabilidade é bem grande e guarda relação com os desmandos que culminaram e facilitaram a sua queda.



E o Brasil é considerado o líder dentre aqueles que isolaram e puniram o Paraguai pelo afastamento do então presidente. Esse ressentimento ainda é forte junto à opinião pública paraguaia, principalmente os jovens que em grande medida, decepcionados, preferiram não votar.



O Paraguai no Mercosul será um problema. Fora dele, também. Talvez seja o momento de se tratar o processo de integração com mais seriedade e compromisso. Há uma janela de oportunidades aí e quem perde é a região.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégia e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência e Direitos Humanos nos Conflitos Armados. E-mail: inforel@inforel.org

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