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Imperialismo

Paraguai elege presidente em meio à críticas ao Brasil

Neste domingo, os paraguaios elegeram o ex-bispo católico Fernando Lugo como novo presidente, pondo fim a 61 anos de hegemonia do Partido Colorado, que ficou em segundo lugar, com a ex-ministra Blanca Ovelar.

O general Lino César Oviedo ficou em terceiro. Ele era o único dos principais candidatos que prometia tratar da questão de Itaipu com diplomacia. Amigo do governador do Paraná, Roberto Requião, Oviedo tentou atrair o apoio de Lula para sua candidatura.

Fernando Lugo foi eleito com 41% dos votos (no Paraguai não há segundo turno), pela Aliança Patriótica para a Mudança (APC) e com um discurso praticamente centrado na revisão do Tratado de Itaipu.

O candidato contou ainda com o apoio de grande parte dos meios de comunicação do Paraguai que desde o ano passado instensificaram uma campanha contra o Brasil, considerado o país sub-imperialista da América do Sul.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral de Justiça (TSEJ), 65% dos eleitores compareceram às urnas e não houve registros de incidentes graves. O Paraguai tem cerca de seis milhões de habitantes.

O atual presidente, Nicanor Duarte Frutos, parabenizou Lugo pela vitória e Blanca Ovelar, sua candidata, foi a primeira a reconhecer a derrota.

Duarte Frutos havia dito que os partidários de Lugo estariam dispostos a conturbar o ambiente político paraguaio caso ele não vencesse no voto. O Partido Colorado chegou a difundir que explosivos e militares venezuelanos estariam no país com esse propósito.

Além de rever o Tratado de Itaipu firmado em 1973, Fernando Lugo também prometeu atacar dois problemas crônicos do Paraguai: a pobreza extrema e a corrupção. Para tanto, terá de usar de muita diplomacia se quiser assumir o cargo e implementar suas políticas.

Aos 57 anos, Lugo que era bispo de San Pedro, uma das regiões mais pobres do país, renunciou ao ministério episcopal em 2006 para poder concorrer uma vez que a Constituição do Paraguai não permite que religiosos disputem eleições. Seu projeto político foi duramente criticado pelo Papa Bento XVI.

Para vencer, montou uma aliança que reúne de comunistas a liberais. Fernando Lugo também foi missionário no Equador e estudou sociologia na Universidade Gregoriana de Roma.

Adepto da Teoria da Libertação, afirma não misturar religião com política e quanto à ideologia, rejeita o rótulo de esquerdista, embora vários analistas o situem no mesmo patamar de Rafael Correa, do Equador, Evo Morales, da Bolívia, Hugo Chávez, da Venezuela, e Daniel Ortega, da Nicarágua. Na sexta-feira, 18, ele afirmou que era um meio-termo entre Lula e Hugo Chávez.

Itaipu

O debate em torno de Itaipu acirrou os ânimos durante o período eleitoral e Fernando Lugo, que esteve com o presidente Lula no dia 2, não pretende abrir mão de sua principal promessa de campanha.

O presidente eleito do Paraguai promete ir às cortes internacionais para que o tratado seja revisto. De acordo com o assessor internacional da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, não há a menor possibilidade de o Brasil rever o acordo.

Na quinta-feira, 17, ele falou sobre o assunto em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e minimizou os ataques vindos do Paraguai em direção ao Brasil.

Garcia assegurou que o tema não está em discussão e que o Brasil tem argumentos tanto jurídicos quanto técnicos para não aceitar mudanças no tratado. Segundo ele, “o Brasil já fez diversas concessões para diminuir as assimetrias nas relações com o Paraguai”.

No mesmo dia, pouco antes de receber Lugo no Palácio do Planalto, Lula discutiu com o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, o projeto de construção de uma linha de transmissão de Itaipu à Assunção, com capacidade para 500 quilowatts.

Para tanto, serão investidos algo em torno de US$ 200 milhões. Só o projeto vai custar à Itaipu, US$ 2 milhões e o financiamento da obra deverá sair do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Eletrobrás, principal empresa credora do Paraguai na dívida pela construção da usina.

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