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24/11/2016
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24/11/2016

Diplomacia

Paraguai esclarece alcance do futuro acordo automobilístico com o Brasil

Brasília – O ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Leite, aproveitou a visita realizada à montadora de automóveis da Holding AM Reguera, para explicar o alcance que terá o futuro acordo automobilístico com o Brasil, inclusive sobre o impacto da medida para os importadores de veículos usados, especialmente do Chile.

“Evidentemente todos sabem que o Paraguai quer o mercado de autopeças do Brasil. O Paraguai quer com o tempo que os automóveis montados no país possam ingressar no Brasil e o Brasil vem dizendo há tempos que o mercado paraguaio está inundado de veículos usados, o que é uma verdade e este será o ponto de partida para delimitarmos o acordo que queremos”, explicou.

Gustavo Leite reconheceu que esta medida não pode ser implementada da noite para o dia. “Isso vai acontecer, mas temos que trabalhar em uma gradual incorporação de veículos paraguaios ao parque automobilístico. Hoje, os veículos brasileiros contam com tarifas que os tornam um pouco mais caros e se nós quisermos enviar estes veículos para o Brasil, vamos pagar tarifas e não é o que queremos”, afirmou.

Brasil e Paraguai trabalham para liberalizar as tarifas de toda a cadeia de autopeças e tudo que representa um veículo 0Km. Segundo Gustavo Leite, “neste processo, vamos ouvir o que tem a dizer o Brasil, mas o Brasil também sabe que o Paraguai precisa implementar gradualmente as medidas que se fazem necessárias”, concluiu.

Calçados

Enquanto isso, uma empresas de calçados do Brasil instalada em Paraguarí, irá contratar 120 jovens paraguaios para trabalhar com o couro. A Calçados Masiero iniciou suas atividades industriais em Paraguarí com a convocação dos trabalhadores para produzir sapatos de couro que serão exportados para o Brasil.

O ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Leite, participou da inauguração da unidade e explicou que os primeiros 120 jovens serão capacitados e contratados, mas que a empresa deverá ampliar as contratações à medida em que a produção for crescendo. Paraguarí é famosa pela produção de couro e o Paraguai pretende transformar a localidade em um importante polo industrial para a exportação em nível mundial.

Os empresários brasileiros escolheram o Paraguai depois de analisarem opções na América Central e na África. Em dois anos a empresa quer consolidar a sua presença como produtora e exportadora de calçados gerando três mil empregos diretos e outros 12 mil indiretos.

De acordo com os executivos da Masiero, o Paraguai conta com impostos baixos, abundante energia elétrica e mão-de-obra barata e de qualidade. Além disso, pesquisas realizadas pela empresa mostram que o operário paraguaio produz em média, 30% mais que o brasileiro.

Brasil e Paraguai repassam agenda bilateral e definem prioridades

No dia 16, os ministros de Relações Exteriores do Brasil, José Serra, e do Paraguai, Eladio Loizaga, aproveitaram o encontro regional de segurança de fronteiras, realizado em Brasília, para repassar a agenda bilateral e definir prioridades.

De acordo com Loizaga, “entre outros temas da agenda bilateral, falamos sobre a construção da segunda ponte sobre o Rio Paraná, que unirá Presidente Franco com Foz do Iguaçu. Falta ainda a autorização de uma instituição brasileira para que as obras possam ser iniciadas. O chanceler Serra confirmou que convocará as instituições envolvidas até o final do mês para resolvermos o problema e que teremos uma definição o mais breve possível”, disse.

Loizaga informou também que os dois dialogaram sobre a situação do MERCOSUL, e a reunião que manterão os coordenadores nacionais, tendo em conta a resolução que deu prazo à Venezuela até 1º de dezembro para incorporar todo o arcabouço normativo do bloco, sob pena de ser suspensa.

Os dois ministros trataram ainda do tema da hidrovia, particularmente o Acordo de Cooperação firmado com os Estados Unidos para a avaliação técnica em um trecho do Rio Paraguai que se encontra totalmente em território nacional. O acordo se encontra sob análise do Congresso paraguaio e não encontra nenhum óbice de parte do Brasil.

Eladio Loizada recordou que com a Argentina também se tratou há duas semanas do mesmo tema. “Explicamos que levaremos o tema à Comissão de Dragagem e Balizamento que existe atualmente”, informou o chanceler. O uso da hidrovia Paraná – Paraguai é considerada vital para o desenvolvimento econômico regional.

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