Relações Exteriores

Conflito armado
08/04/2016
Diplomacia
08/04/2016

Economia

Paraguai pretende converter-se na China da América do Sul

Brasília – O ministro de Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Leite, afirmou na quinta-feira, 24, que o país pretende converter-se na China da América do Sul. E neste sentido, o Paraguai buscará especializar-se na exportação, principalmente de alimentos, com enfoque especial para a soja e o milho. Além disso, o governo trabalha para fazer do país o quinto maior exportador de carne do mundo. De acordo com Leite, “temos uma localização central, entre dois grandes mercados que são Brasil com 200 milhões de habitantes e Argentina com 50 milhões, além dos três milhões de uruguaios e os sete milhões de paraguaios”, afirmou.

Gustavo Leite explicou ainda que o Paraguai irá substituir a China e o mercado asiático para o Brasil e a Argentina. Ele lembrou que o Brasil compra US$ 70 bilhões em manufaturados por ano e a Argentina, outros US$ 15 bilhões. “Nós podemos competir com a China, com a Ásia. E isso é o que tem feito com que 62 novas indústrias tenham se instalado no Paraguai desde 2013”, destacou.

O ministro paraguaio lembrou  ainda que o país quer fabricar as peças para os cerca de cinco milhões de carros que o Brasil produz a cada ano. “Trata-se de um mercado de US$ 40 bilhões. O potencial está em sermos a plataforma competitiva da região e oferecer serviços de logística. Quando nossos vizinhos compram da Ásia, este produto demora 60 dias para ser entregue. Se comprarem do Paraguai, receberão em 24h”, explicou.

Além disso, o Paraguai tem hoje a terceira maior frota de barcos do mundo e quer tirar proveito da hidrovia Paraná – Paraguai. A principal empresa de logística da Alemanha já instalou-se no país e o ministro ofereceu ao governo do Mato Grosso do Sul, o uso do porto de Concepción para o escoamento dos seus produtos exportáveis.

MERCOSUL

Na avaliação do governo paraguaio, o MERCOSUL ideológico também acabou e isso pode representar o relançamento do bloco em condições mais equilibradas e objetivas. “O MERCOSUL ideológico acabou. O presidente Macri tem dado sinais de querer voltar ao MERCOSUL em suas origens que era um bloco comercial vibrante. As negociações com a União Europeia constituem a prioridade. Fechados em nós mesmos, não temos futuro. É evidente que teremos um MERCOSUL a duas velocidades: um com os quatro países originais e outro com os dois países incorporados (Venezuela e Bolívia)”, concluiu.

Paraguai nega apoio à presidente Dilma no âmbito da UNASUL

O Paraguai negou apoio à presidente Dilma Rousseff numa articulação que vinha sendo construída pelo presidente uruguaio Tabaré Vázquez, na condição de presidente pro tempore da União das Nações Sul-Americanas (UNASUL). Na semana passada, Vázquez declarou apoio à presidente brasileira e agora, circulou uma declaração com o objetivo de colher o respaldo de todos os membros do bloco.

De Assunção, o vice-ministro de Relações Exteriores, Óscar Cabello, deixou claro que o Paraguai não firmará o documento. Segundo ele, “não intervimos em assuntos internos dos países. O Paraguai não acredita ser conveniente que se produza qualquer tipo de pronunciamento nem a favor e nem contra. Nos ajustamos ao respeito à soberania dos países e não apoiamos esse tipo de comunicados”, afirmou Cabello.

Além de Vázquez, também a Frente Ampla, coalizão política que o apoia, já manifestou apoio à presidente ao atacar os meios de comunicação de desestabilizarem as instituições. No dia 17, o chanceler Rodolfo Nin Novoa confirmou na Comissão de Assuntos Internacionais do Senado do Uruguai, que o governo estava totalmente envolvido nas negociações para buscar uma declaração a favor de Dilma.

Neste dia, o ministro de Relações Exteriores afirmou ainda que tinha informações de que haveria movimentos de aquartelamento de tropas no Brasil, informação que nem o ministério da Defesa e nem as Forças Armadas confirmaram.

A ministra de Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, afirmou que “o que desejamos e estamos conversando com nossos colegas do MERCOSUL, é que o que ocorre no Brasil seja resolvido dentro do marco da democracia, com respeito às instituições e através de um esquema de abertura de diálogo que hoje não existe”.

O Uruguai espera retomar as conversas com a Argentina sobre a crise no Brasil logo após a visita do presidente norte-americano Barack Obama.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *