Brasília, 16 de janeiro de 2019 - 17h36
Paraguai quer a extradição de militantes de esquerda protegidos no Brasil

Paraguai quer a extradição de militantes de esquerda protegidos no Brasil

01 de janeiro de 2019
por: Marcelo Rech
Compartilhar notícia:

Brasília – O presidente do Paraguai, Mário Abdo Benítez, confirmou nesta terça-feira, 1º, que irá pedir a extradição de Juan Arrom e Anuncio Martí, ex-dirigentes do Partido Pátria Livre (PPL) e processados naquele país pelo sequestro da esposa de um empresário em 2001. Desde outubro, o Paraguai negocia com o Brasil a entrega dos dois.

De acordo com o ministro do Interior paraguaio Juan Ernesto Villamayor, "vamos pedir ao Brasil a suspensão do status concedido a eles em 2003 e vamos insistir com o pedido de extradição para que ambos prestem contas à Justiça paraguaia", disse.

Esta será a quarta tentativa do Paraguai para conseguir a extradição, embora desta vez existam "muitas expectativas favoráveis", de acordo com o ministro das Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni que acompanhou o presidente Benítez na cerimônia de posse de Jair Bolsonaro.

O chanceler informou que trabalhará de forma conjunta com outras instituições do Estado para buscar a suspensão "do status inadequado" de Arrom e Martí. "Não há apenas uma questão de acabar com a impunidade que esses dois criminosos usufruem, com o status de refugiado, também há uma questão de segurança nacional. Eles foram um pouco da raiz do grupo armado Exército do Povo Paraguaio (EPP), antes Pátria Livre", explicou o chanceler.

Martí e Arrom foram processados pela Justiça paraguaia pelo suposto envolvimento no sequestro de María Edith Bordón de Bernardi, esposa de um empresário paraguaio e nora do ex-ministro da Fazenda Enzo Debernardi. Ela foi liberada em janeiro de 2002, após o pagamento de US$ 1 milhão, segundo foi informado na época.

Com o apoio da esquerda brasileira, o então presidente Luis Inácio Lula da Silva decidiu conceder aos dois a condição de refugiados políticos e a proteção para que residam livremente no território brasileiro.