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Segurança Regional

Paraguai quer VANT brasileiro para combater Terrorismo do Exército do Povo Paraguaio

Brasília – O governo paraguaio pretende contar com o apoio brasileiro para identificar e combater os terroristas do chamado Exército do Povo Paraguaio (EPP), por meio de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs). De acordo com o ministério do Interior daquele país, os membros da organização estariam no Norte e por meio do narcotráfico, sustentam seus atos terroristas.

Nesta quinta-feira, 6, o ministro paraguaio do Interior, Francisco de Vargas, reuniu-se em Foz do Iguaçu (PR) com autoridades brasileiras para tratar do assunto. Segundo ele, o uso de VANTs permitirá ao Paraguai localizar com exatidão onde os membros do EPP atuam e assim, planejar operações de combate à organização.

Ele também tratou do assunto com militares paraguaios e membros da Polícia Nacional em Ciudad del Este e Alto Paraná. Francisco de Vargas discutiu o assunto com representantes do ministério da Justiça e da Polícia Federal do Brasil. Segundo ele, “temos um trabalho comum. O crime organizado transfronteriço é uma realidade, um flagelo vigente, e se não nos coordenarmos melhor nesta luta, isso não vai funcionar”.

O ministro revelou que o Paraguai já deu início aos trâmites legais para poder contar com essa ferramenta na luta contra o EPP, em cooperação com o Brasil. “O VANT é uma ferramenta muito interessante, necessária e estamos trabalhando para contar com ela”, confirmou.

Na prática, o governo paraguaio tenta a mais de um ano contar com os VANTs brasileiros para obter a localização exata dos membros do EPP. A PF já os utiliza na fronteira com o país vizinho na fiscalização da região e no combate ao contrabando e aos tráficos de armas e drogas. O VANT transmite em tempo real as imagens que toma sobre pessoas, veículos, movimentos e áreas sobrevoadas.

Francisco de Vargas destacou que na luta do governo contra o EPP, “há muitas expectativas e questões incompreendidas. Há interpretações errôneas talvez. A área de influência do EPP tem mais de 15,5 mil quilômetros quadrados de mata fechada e eles contariam com o apoio da população local”.

Soberania

Nesta sexta-feira, 7, o presidente do Paraguai, Horacio Cartes, destituiu o chefe da Área Naval de Canindeyú, Conrado Cáceres Loutteiro, uma semana após a denúncia de que militares brasileiros teriam ingressado em águas fluviais paraguaias no marco da Operação Ágata 9. Para o lugar de Loutteiro, foi nomeado o capitão Luis Mariano Ciancio Petters.

De acordo com o ministro da Defesa, Bernardino Soto Estigarribia, o Brasil ainda não respondeu sobre os acontecimentos do dia 31 de julho. “Não há nada novo. A chancelaria recebeu respostas do Brasil, de que investigariam os incidentes produzidos e estamos à espera de uma resposta definitiva”, afirmou. Ainda segundo ele, não há um prazo determinado para o Brasil responder sobre os fatos.

Por outro lado, Soto Estigarribia fez questão de destacar a predisposição das Forças Armadas do Brasil em cooperar com os militares paraguaios na luta contra o narcotráfico. “No entanto, do ponto de vista da luta contra o narcoterrorismo não existe apoio concreto”, revelou.

Também nesta sexta-feira, 7, o Senado paraguaio aprovou moção que cobra respostas da diplomacia sobre a incursão de militares brasileiros no país. O senador liberal Miguel Abdón Saguier criticou duramente o governo brasileiro “por violar sistematicamente a soberania e por tentar apresentar o Paraguai à comunidade internacional como um país de contrabandistas”, afirmou.

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