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Corrupção

Parlamento peruano decide investigar caso Lava Jato

Brasília – O Parlamento do Peru decidiu nesta quinta-feira, 1º, criar uma comissão especial para investigar o caso Lava Jato conduzido no Brasil pelo Ministério Público Federal. Foram 47 votos a favor e 42 contrários à criação da comissão investigadora sobre as ramificações peruanas, que implica supostos atos de corrupção de empresas brasileiras naquele país.

Agora, o caso deixa de ser conduzido pela Comissão de Fiscalização que não reúne todas as condições para invesstigar os fatos. De acordo com o seu presidente, Gustavo Rondón, “a comissão investigadora terá todas as facultades necessárias para fazê-lo, contando com informação dos estados financeiros e os ingressos de possíveis investigados”, afirmou.

Os parlamentares governistas aceitaram a derrota, mas pedem que as investigações abarquem não apenas o atual governo do presidente Ollanta Humala, mas os anteriores. O líder da bancada, Hugo Carrillo, afirmou que pelo menos 16 empresas do Brasil estariam envolvidas em suspeitas de corrupção com o pagamento de propinas para a obtenção de contratos.

Ele recordou que várias das empresas brasileiras que atuam no país o fazem por meio de sucursais, enquanto otras atuam diretamente. Além disso, lembrou que documentos apreendidos na sede da Camargo Correa em São Paulo, continham nomes de vários membros do governo passado de Alan Garcia.

Foi no governo dele que o ex-ministro José Dirceu reuniu-se em pelo menos duas oportunidades com autoridades paruanas para discutir a participação de empresas brasileiras em obras no país.

Odebrecht

O diretor-executivo da construtora Odebrecht, no Peru, Jorge Barata, negou que a empresa tenha obtido contratos de forma irregular naquele país ou tenha repassado dinheiro para políticos, mas admitiu ter participado de reuniões com candidatos presidenciais no passado.

Barata, diretor-executivo da Odebrecht Latinvest – braço de investimentos da firma para a América Latina – rebateu as acusações feitas por um suposto colaborador a um procurador da República que investiga a primeira dama e presidente do Partido Nacionalista, Nadine Heredia, por lavagem de dinheiro.

O denunciante que tem sua identidade protegida, garante que Barata entregou US$ 400 mil em 2006 para a campanha eleitoral de Ollanta Humala, eleito apenas em 2011. “A Odebrecht não fez nenhum aporte de dinheiro ao Partido Nacionalista, seja diretamente ou por meio de terceiros”, afirmou o executivo.

Nesta semana, o presidente Humala também negou ter recebido dinheiro da empresa e do governo da Venezuela. Uma investigação a respeito havia sido iniciada em 2011, mas a Justiça ordenou arquivar o caso. Agora, a oposição com maiorida do Congresso, decidiu reabri-la.

As investigações ocorrem um ano antes das eleições presidenciais. Para Jorge Barata, “é comum no contexto político atual do Peru, que o debate pré-eleitoral tome um caminho pouco produtivo para o país, ainda mais quando pode prejudicar a reputação de terceiros”, afirmou.

No entanto, ele admitiu ter participado de reuniões não apenas com Humala e a esposa, mas com todos os candidatos presidenciais em anos anteriores, para conhecer seus pontos de vista sobre investimentos. “Os empresários não podem tomar decisões sem entender o que há na cabeça dos políticos”, enfatizou.

No Peru, empresas brasileiras são acusadas de ganhar licitações de obras por meio do pagamento de subornos e propinas. O Ministério Público do país já investiga essas empresas que também estão arroladas nas invetigações da Operação Lava Jato.

A Odebrecht ganhou 65 contratos para obras no Peru, incluindo cinco trechos da rodovia Interoceânica, cujos valores iniciais eram de US$ 800 milhões. O governo peruano acabou pagando cerca de US$ 2 bilhões.

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