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Permanentemente não permanente

Permanentemente não permanente

Marcelo Rech, de Washington

“Eu temo que, elegendo o Brasil para o seu 10º mandato como membro não permanente, os atuais membros permanentes tentem desviar a intenção do país para sua aspiração inicial, tornando-o permanentemente um membro não permanente”.

Muito feliz a afirmação do professor Mark Katz, da George Mason University, à jornalista Isabel Fleck, do diário brasileiro Correio Braziliense, em sua edição desta sexta-feira.

Ele se refere à decisão da Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas, de conferir ao Brasil, mais um mandato de dois anos no Conselho de Segurança.

Junto com o Brasil, foram eleitos a Bósnia Herzegovina, Gabão, Líbano e Nigéria.

Esses países mais os cinco integrantes permanentes – Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China, se unem aos rotativos Áustria, Japão, México, Turquia e Uganda, que têm mandato até 2010.

De fato, a décima eleição do Brasil tem um pouco de prestígio da política externa inaugurada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003.

Mas tem também esse lado de nos colocar permanentemente como não permanente num Conselho que precisa ser reformado, mas que deve continuar como está por um bom tempo ainda.

Não restam dúvidas que o Brasil subiu muitos degraus no conceito da comunidade internacional.

Liderou vários movimentos regionais e foi decisivo, por exemplo, no fortalecimento do G-20.

Ganhou musculatura com o trabalho realizado há cinco anos no Haiti pelos seus militares em missão de paz.

O retorno do Brasil ao organismo mais poderoso da ONU – a última vez foi em 2004 – a partir de janeiro de 2010 vai marcar ainda a presença da embaixadora Maria Luiza Viotti nas discussões que podem transformar a realidade mundial.

Por outro lado, nossa diplomacia também coleciona fracassos.

O mais recente diz respeito à eleição para a direção-geral da Unesco quando o Itamaraty preferiu apostar num egípcio anti-semita em detrimento de dois nomes brasileiros para tocar o organismo.

Para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, esta é uma oportunidade para o Brasil reforçar o seu papel em defesa da paz mundial.

Obviamente que toda pretensão tem um custo. Participar das decisões da ONU implica não apenas uma participação maior como um custo financeiro adicional.

Cada conquista tem seu preço.

O Brasil é sondado para integrar missões de paz em países conturbados como Sudão e Somália.

O êxito no Haiti onde cerca de 12 mil militares puderam pôr em prática estratégias completamente diferentes daquelas que as grandes potências insistem em aplicar, atrai as atenções da comunidade internacional.

Isso significa que a nossa contribuição para o sistema deve passar e muito dos atuais 1,62% do orçamento total da ONU.

Em relação às operações de manutenção da paz, nossa contribuição é de 0,3% e terá de subir significativamente.

Isso se o Brasil quiser realmente que o Conselho de Segurança seja reformado e adaptado à nova realidade.

Do contrário, poderemos ser apenas um membro não permanente, permanentemente.

Marcelo Rech, 38, é jornalista com pós-graduação em Relações Internacionais e especialização em Estratégias e Políticas de Defesa. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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