Brasília, 11 de dezembro de 2018 - 21h45

Investimentos

31 de outubro de 2016
por: InfoRel
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Brasília - O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da FIESP (Derex), Thomaz Zanotto, abriu nesta quarta-feira, 26, workshop para destacar oportunidades de investimento no Peru, com destaque para projetos regionais.



A interlocução com o Peru tem sido muito extensa, lembrou Zanotto, ressaltando que um novo presidente, Pedro Pablo Kuczynski, assumiu o país (no final de julho). O Peru, explicou, é parte da Aliança do Pacífico e é muito arrojado em tratados de livre comércio.



O diretor do Derex destacou vantagens da integração regional, como a possível criação de um mercado comum de 400 milhões de habitantes, numa região sem conflitos de fronteira. E o interesse no Peru vai muito além da infraestrutura, disse Zanotto. “Temos que tentar avançar em diversas outras áreas, de modo a que quando as tarifas estejam zeradas sejamos uma região de livre comércio, mas também de livre investimento.” Fala-se há 15 anos em integração regional, lembrou, mas pouco saiu do papel.



Zanotto disse esperar que os investimentos cresçam e permitam o desenvolvimento dos dois países. Vicente Rojas, embaixador do Peru no Brasil, destacou que a ida de sete governadores ao workshop na FIESP mostra o interesse do país em fortalecer as regiões.



Ele afirmou que o novo presidente definiu as relações com o país como único e manifestou a intenção de atacar problemas como o da burocracia nas fronteiras, mencionado por Zanotto. Já a participação dos empresários é vista pelo Peru como fundamental e o país tem projeto para reduzir a 10% neste mandato o número de pobres. Além disso, o Peru oferece estabilidade política e ambiente em que se podem fazer investimentos.



Por outro lado, reavivar a economia é um dos temas centrais para o Peru. “Nos últimos 20 a 22 anos o país tem crescido sem interrupção, e isso vai continuar”, disse Rojas. “A experiência mostra que sem investimento não é possível fazer nada”, afirmou.



E a preocupação com o bem-estar envolve o saneamento. Atualmente, o Peru tem oito de seus 30 milhões de habitantes sem água potável e sem esgoto, e o tema vincula-se à saúde e à educação uma vez que sem água potável na primeira infância as crianças não se desenvolvem.



“Começando pelas fronteiras há um trabalho a ser feito de conectividade, ligando os peruanos aos brasileiros. O Peru está de portas abertas e se esforça para ser um Estado muito mais eficiente e com igualdade de oportunidades para todas as pessoas” destacou.



Oportunidades



Os 14 governos regionais presentes apresentaram mais de 136 projetos, com necessidade de US$ 34 bilhões em investimentos. O governador do Estado peruano do Amazonas (Norte do país), Gilmer Wilson Horna Corrales, foi o primeiro administrador regional a fazer sua apresentação. Antonio Castillo Garay, conselheiro comercial do Peru no Brasil, fez a apresentação Megaprojetos de infraestrutura no Peru para o investimento privado.



No governo nacional são 25 megaprojetos para promoção em 2017 e 2018, com investimento previsto de US$ 4,6 bilhões. Nos 25 governos regionais, são mais de 44 mil oportunidades em diferentes projetos no mesmo período, que exigem US$ 12 bilhões em investimento.



Um dos projetos nacionais que busca conectar 12 regiões do Peru, é a Estrada Longitudinal da Serra, em sistema de parceria público-privada (PPP). Outro é a Hidrovia Amazônica, que terá 2.500 km em quatro rios e está em seu trecho final. Com investimento de US$ 70 milhões e concessão por 20 anos, terá licitação ainda este ano. As linhas 3 e 4 do metrô de Lima, com 32 km e 30 km, respectivamente, têm estudos prévios a cargo de empresa brasileira.



Além disso, o Peru trabalha em estrutura de transporte para se tornar um hub regional, disse Garay. A projeção de novos investimentos em infraestrutura de transporte supera US$ 10 bilhões sendo US$ 2,8 bilhões em estradas e US$ 6,8 bilhões em trilhos.



Projetos da área de energia incluem térmicas e gás natural. Em saneamento, há projetos importantes em água, especialmente um de US$ 600 milhões para o abastecimento de Lima. E o Peru convocou empresas brasileiras para participar de projetos hospitalares devido à experiência com grandes centros hospitalares em São Paulo. A ideia é ter 11 hospitais nacionais, 23 regionais e 170 de menor porte, provinciais.



Negócios sem barreiras



O painel Perspectivas de investimentos no Peru teve apresentação de Edgar Vásquez Vela, vice-ministro de Comércio Exterior do Peru. Ele revelou que em 15 dias o governo divulgá um pacote para eliminar todas as barreiras aos negócios no Peru, com o fim da burocracia e outros fatores que dificultam o investimento. “Isso vai facilitar radicalmente a forma de fazer negócios no país.”



Ele destacou que o país está entre os cinco principais países da América Latina para investimentos. Disse que é chave para os investidores brasileiros porque é um país aberto. Já há muitos investimentos brasileiros em comércio exterior no Peru, e o país quer que isso se estenda a outros setores.



“O Peru é integrado ao mundo de maneira sólida e tem grau de investimento. O país está em seu melhor momento para o investimento, pelas perspectivas para o futuro, segundo a maioria das avaliações internacionais. O FMI aponta para o Peru taxa de crescimento nos próximos anos acima da dos outros países da América Latina. E o Peru tem crescido a taxas acima das previstas. Este ano deve fechar em 4%, contra 3,7% estimados pelo FMI” afirmou Vela.



A ampla rede de acordos comerciais, 18, com 52 países do mundo, disse Garay, dá ao país a posição de um dos mais avançados globalmente na integração. A meta, no entanto, são 72 países e 98% do comércio sem barreiras. “As relações com Brasil são muito importantes para o comércio de bens e o futuro acordo de aprofundamento comercial estabelece benefícios por exemplo, para serviços, investimentos e compras públicas. Mais de 70 empresas brasileiras estão instaladas no Peru”, explicou Antonio Castillo Garay.



Segundo ele, “nos próximos dias deve ser modificada legislação sobre ingresso de veículos, o que deve beneficiar quem quiser entrar do Brasil via rodovia do Pacífico. Temos que facilitar também o melhor relacionamento entre pessoas, disse. E como parte dos acordos de aprofundamento, o Peru vai eliminar as tarifas sobre os veículos brasileiros, dando vantagem em relação aos que são adquiridos da China, Japão e EUA”.


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