Relações Exteriores

V CELAC
23/01/2017
Política
23/01/2017

Corrupção

Peru, Equador, República Dominicana e Panamá, no radar do escândalo Odebrecht

Marcelo Rech, especial da República Dominicana

Punta Cana – O escândalo envolvendo a brasileira Odebrecht está definitivamente na agenda regional e até mesmo nos bastidores da V CELAC, que se realiza em Punta Cana, República Dominicana, onde o tema é debatido por diplomatas de toda a região.

No Peru, a prisão do ex-presidente do Comitê de ProInvestimento para a linha 1 do Metrô de LIma, Edwin Luyo Barrientos, parece ser o ponto de partida para que o ministério Público comece a deter os funcionários peruanos que se beneficiaram com o pagamento de subornos da construtora brasileira por parte da Odebrecht Peru SAC. Barrientos é acusado de integrar uma rede internacional de corrupção e lavagem de dinheiro e poderá pegar 18 anos de prisão.

As provas contra Edwian Luyo Barrientos são consideradas contundentes. Outro implicado nas investigações está sendo procurado pela Justiça peruana e é considerado fugitivo.

No Peru, já se confirmou que os recursos para o pagamento de subornos saíram do Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht, no Brasil. Esse departamento era responsável pelo pagamento de subornos pela empresa, na Europa e América Latina, via Panamá. O ex-vice-ministro Cuba Hidalgo, teria pedido US$ 8 milhões de subornos tanmbém para o metrô de Lima. Apenas para as obras do primeiro trecho, teria recebido US$ 1,4 milhão.

Ainda de acordo com as autoridades peruanas, a Odebrecht colabora com as investigações entregando documentos e detalhes das operações realizadas no país e em outras nações.

República Dominicana

Na República Dominicana, o assunto é tema de debates nos meios de comunicação e junto à sociedade. Neste final de semana, uma marcha reuniu milhares de dominicanos nas ruas da capital pedindo o fim da corrupção e das impunidades.

As pessoas não parecem importar-se com a realização da V Cúpula da CELAC no país e prometem protestar de forma permanente. Eles querem que os corrompidos pela Odebrecht sejam presos e que a empresa devolva o dinheiro dos contratos obtidos. A empresa teria atuado durante os governos de Hipólito Mejía, Leonel Fernández e do atual, Danilo Medina, que está em seu segundo mandato.

Os organizadores das marchas querem a criação de uma Comissão Especial contra a Impunidade com o apoio das Nações Unidas, como já ocorreu na Guatemala e em Honduras.

Ainda na República Dominicana, são grandes as pressões pelo caso envolvendo a Enbraer e a venda de nove aviões Super Tucano por cerca de US$ 90 milhões. A empresa teria pago cerca de US$ 3,5 milhões em propinas para obter o contrato.

Equador

O governo equatoriano decidiu enviar nos próximos dias uma delegação ao Brasil para conhecer detalhes acerca dos contratos realizados no país pela Odebrecht. A informação é do presidente Rafael Correa.

Segundo Correa, pelo menos 18 equatorianos teriam atuado em favor da Odebrecht. Os casos de corrupção da empresa naquele país teriam começado em 1987 no governo de León Febres Cordero.

Ele afirmou ainda que há pessoas envolvidas nas denúncias que trabalharam com o prefeito de Quito, Mauricio Rodas.

Panamá

No Panamá, o presidente Juan Carlos Varela, revelou que a Odebrecht está totalmente fora das próximas licitações que serão realizadas no país e destacou que “deve-se fazer justiça, mas também proteger a economia”.

Segundo ele, “dei instruções aos ministros. É preciso que as executem o quanto antes e a Odebrecht deve entregar informações sobre as obras que realizou e vinha realizando no país”.

“O Panamá tem que avançar sobre o processo de justiça, que se conheça a verdade, mas que se proteja a economia. Se não a protegemos vão sofrer os inocentes que não têm por que pagar”, explicou.

Quatro panamenhos são investigados pela Procuradoria-Geral da Nação, informou o titular do órgão, Rolando Rodríguez Cedeño. A empresa brasileira teria pago subornos no país entre 2009 e 2014.

No dia 12 de janeiro, a Odebrecht prometeu devolver US$ 59 milhões ao ministério Público do Panamá. Este seria o total de subornos que a empresa teria pago no país.

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