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Burocracia

Piedade Haiti!

Marcelo Rech

Na terça-feira, 12, o Haiti foi arrasado por um terremoto que simplesmente fez ruir com o pouco avanço que havia sido conquistado nos últimos cinco anos.

Aquela que poderia ser a oportunidade de redenção tende a ser apenas mais um amontoado de burocracia.

Papéis ainda são mais importantes que vidas.

A política fala mais alto que as necessidades do pobre povo do Haiti.

As notícias que chegam de Porto Príncipe dão conta que a comunidade internacional, apesar das tragédias passadas como o tsunami na Ásia em 2005, não se preparou para novos eventos.

Milhões são doados todos os dias, em dinheiro, alimentos, água e outros, mas mesmo diante do óbvio, a burocracia impede que se minimize o sofrimento das pessoas.

Os Estados Unidos anunciam o envio de dez mil militares ao país. Durante anos, seus soldados estiveram em várias oportunidades no Haiti e nada de concreto foi feito.

Agora, o governo de Barack Obama enxerga no terremoto uma chance de reaver o controle da missão e com isso, impor a sua vontade mais uma vez.

É por isso que não creio em mudanças, o que é profundamente lamentável.

O que temos agora é um cabo de guerra para ver quem manda.

A ONU, destroçada, não sabe que rumo tomar. A tragédia tocou profundamente a organização.

O Brasil lidera a missão de estabilização, mas até agora o Force Commander não foi visto comandando.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, passou dois dias na capital haitiana e chegou reclamando da centralização dos norte-americanos.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, teve de ligar para Hilary Clinton, para reclamar que os vôos da Força Aérea Brasileira não estavam sendo autorizados a pousar no país.

Os controladores no aeroporto de Porto Príncipe são dos Estados Unidos.

Aviões da FAB com pessoal, equipamentos e alimentos, tiveram de pousar em Santo Domingo.

 

Alguns foram obrigados a retornar para Boa Vista onde ainda aguardam autorização para chegar com ajuda humanitária ao Haiti.

São alguns exemplos de como a política interfere e como ela pode ser tão má.

Me pergunto quantas vidas deixaram de ser salvas por conta disso. Do orgulho de alguns, do preconceito de outros, da arrogância da maioria.

É claro que se o Haiti fosse um potencial produtor de petróleo ou gás ou detivesse alguma reserva importante de minerais, nada disso estaria sendo discutido.

Marcelo Rech é o editor do InfoRel. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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