Opinião

Colômbia descarta Plano de Paz venezuelano
28/07/2010
Comunicado Conjunto Brasil – Nicarágua
28/07/2010

Plano de Paz: verdades e mentiras

Plano de Paz: verdades e mentiras

Marcelo Rech

O ministro das Relações Exteriores da Venezuela percorreu sete países em dois dias para tentar convencer os vizinhos de que a Colômbia mente ao denunciar a conivência de Hugo Chávez com as guerrilhas das Farc e ELN.

Em todos os sete países, insistiu em falar que a região precisa de um Plano de Paz para o conflito colombiano. É fato!

Mas não existe Plano de Paz com tolerância a grupos irregulares vinculados ao narcotráfico e ao terrorismo.

Não se pode imaginar que a Colômbia, após oito anos de um governo duro e inflexível com as guerrilhas, simplesmente aceite tratar o assunto como se não tivesse padecido quase 50 anos de violência.

Para que um Plano de Paz possa ser minimamente discutido, as Farc, por exemplo, devem colocar em liberdade, e sem condicionamento algum, todos os seqüestrados. Devem entregar as armas e romper definitivamente com o narcotráfico.

Para que as relações entre a Colômbia e a Venezuela possam ser restabelecidas num ambiente de cooperação e desenvolvimento, é necessário que as denúncias apresentadas na OEA sejam objeto de checagem.

A entidade já sofre a falta de credibilidade. Omitir-se diante dos fatos pode sacramentar a sua falência definitiva.

Se as denúncias forem mentirosas, o governo colombiano terá de responder. Se forem verdadeiras, a Venezuela terá de se explicar.

Colocar panos quentes numa situação como esta só ajuda a relegar a região à condição histórica de quintal dos Estados Unidos.

Não é novidade que as Farc estão presentes no Brasil, Equador, Panamá, Paraguai e em diversos países europeus onde já negociam futuros refúgios para a cúpula de Alfonso Cano. Como também não é nenhuma surpresa que estejam enraizadas em diversas instituições políticas e sociais colombianas.

Na próxima quinta-feira, os ministros das Relações Exteriores dos 12 países que integram a União das Nações Sul-Americanas se reúnem em Quito, no Equador, para discutir o tema.

Frente-a-frente estarão Nicolás Maduro e Jaime Bermúdez, que promete mais provas sobre a presença de guerrilheiros colombianos na Venezuela.

O encontro se reveste de especial importância, justamente no momento em que a UNASUL tenta de todas as formas funcionar de verdade. Principalmente para aqueles como Argentina, Brasil, Bolívia, Equador e Venezuela, que não aceitam a OEA nem qualquer ator extraregional como mediadores.

Dos 12 membros, apenas metade ratificou o Tratado Constitutivo do mecanismo.

A UNASUL precisa mostrar a que veio e para que serve, e nada melhor que um tema espinhoso, delicado e cheio de armadilhas políticas como este.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org

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