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Pobre povo este dos Bálcãs

Pobre povo este dos Bálcãs

Roberto Carvalho de Medeiros

Os Bálcãs. Vizinha do berço da cultura do Império Bizantino e foco de lutas, conflitos e guerras desde a Antigüidade, passagem natural para as Cruzadas do Oriente onde, entre outros objetivos, socorreu os cristãos gregos contra a invasão turca.

Região onde se deu o estopim para a Grande Guerra.

A ex-Iugoslávia, composta por retalhos de um conjunto de países usados como fonte de disputa antes e durante a Segunda Guerra Mundial, e mantida “unida”, no pós-guerra, pela costura ditatorial do General Tito por décadas, se desfaz paulatina e definitivamente quando as diferenças étnicas e religiosas são expostas e defendidas pelo uso da força da forma mais radical, devidamente articuladas como ferramenta de disputa de poder político regional.

Como um “flash” do período da Guerra Fria, a província de Kosovo busca sua autonomia da Sérvia com o apoio dos EUA e dos principais países centrais da União Européia.

A mesma Sérvia, logicamente, não aceita tal decisão política, e possui o apoio tácito da Rússia e de alguns países europeus, particularmente da Espanha.

O Brasil permanece “em cima do muro”, aguardando uma decisão formal da ONU para se pronunciar.

Contudo, este movimento pode servir como um novo ponto de partida, abrindo um precedente jurídico no Direito Internacional Público para um efeito em cascata, no mínimo, embaraçoso para nações que lutam em manter sua soberania em detrimento de minorias étnicas e religiosas.

A União Européia (UE) está dividida por este motivo, especialmente a Espanha, Grécia, Bulgária, dentre outras, que convivem com esse desafio da convivência com minorias étnicas e religiosas no seu território.

Fora da UE, existe a Turquia com a secular minoria curda, abriria espaço, também, para movimentos no mesmo sentido pelo Tibet e Taiwan.

Por fim, na região do Cáucaso, mais precisamente na Geórgia, os povos da Abkházia e da Ossétia do Sul, de maioria russa, já sinalizaram que irão pedia à Rússia e à ONU que reconheçam sua autonomia política.

Mais um fator de instabilidade internacional, agora sob o manto dos rivais EUA e Rússia, em áreas de influência deste último. Uma preocupação a mais para o equilíbrio de poder nos Bálcãs e em outras áreas sensíveis no campo dos estudos estratégicos.

Vamos acompanhar a prudência desses atores globais, especialmente da ONU, EUA, Rússia e China, estes três últimos com poder de veto no Conselho de Segurança daquele Organismo Internacional, para solução harmônica desses novos desafios na política internacional.

Roberto Carvalho de Medeiros, CMG (Ref), professor universitário.

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