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15/10/2005
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15/10/2005

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Política Externa do governo Lula é tema de seminário

O Laboratório de Estudos de Caso de Relações Internacionais da Universidade São Marcos, de São Paulo, em associação com o Núcleo de Pesquisas de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo [USP], e o patrocínio da Fundação Japão, realizaram nos dias 6 e 7 o Seminário Internacional A Política Externa do Governo Lula e seu impacto sobre as Relações Internacionais do Brasil com o Japão e os Estados Unidos, quando vários especialistas avaliaram a nova sistemática adotada pelo governo brasileiro nas relações com outros países, principalmente Estados Unidos e Japão.

Apesar das críticas, o desempenho do presidente Lula em melhorar a relação com outros países foi visto de forma positiva pelos participantes do evento.

O seminário foi aberto pelo coordenador do curso de Diplomacia e Relações Internacionais da Universidade São Marcos, professor José Augusto Guilhon Albuquerque, que falou sobre os novos eixos adotados pela política externa brasileira.

De acordo com Guilhon Albuquerque, essa nova postura revela o interesse do Brasil em melhorar sua posição no mercado internacional e para atingir esse objetivo, algumas alterações foram implantadas não apenas no âmbito do Itamaraty como na própria persona do presidente.

”Esta foi uma surpresa para todos, pois, se por um lado não apresentou muitos projetos ou idéia novas, por outro, revelou uma enorme capacidade em estreitar laços. Com isso, a política externa, que antes se revelava muito passiva, deu uma guinada e ganhou novo fôlego”, afirmou o professor.

Apesar de elogiada, a política externa do governo, foi alvo de preocupações. Para Elizabeth Balbachevesky, do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP, a postura do governo em temas transnacionais, por exemplo, foi bastante decepcionante. No seu entendimento, a política externa não se traduziu de forma concreta, principalmente quanto aos projetos sociais.

Como não poderia deixar de ser, as relações do Brasil com os Estados Unidos foi o tema que provocou as maiores discussões. Sidney Weintraub, do Center for Internacional Strategic Studies, e o embaixador Rubens Barbosa discordaram abertamente sobre a postura dos dois países nas negociações internacionais.

Sidney fez várias críticas ao Brasil, alegando que este se preocupa mais em fazer acordos geopolíticos do que acordos reais. Além disso, fez insinuações sobre as relações do Brasil com a Venezuela, principalmente após as declarações anti-americanas do presidente Hugo Chávez.

Na sua opinião, ”o Brasil tem estreitas relações com a China e a Venezuela e não se sabe onde isso vai chegar. Eu diria que, de uma forma geral, Estados Unidos e Brasil estão decepcionados entre si”.

Ele entende que os Estados Unidos, por estarem mais interessados nos acordos de livre comércio com os países centro-americanos e o Brasil voltado para o Mercosul, os problemas e o distanciamento aumentam. Segundo ele, ”se o Brasil quisesse realmente negociar com a ALCA, poderia conseguir muita coisa”.

Já o embaixador Rubens Barbosa, ex-representante do Brasil em Washington e hoje na Fiesp, defendeu a postura do governo brasileiro, porque ela vai contra o monopólio dos Estados Unidos e da Europa, principalmente no segmento agrícola.

Ele acredita que a relação com os Estados Unidos melhorou muito nos últimos cinco anos, mas que as regras rígidas impostas pela ALCA têm dificultado novas negociações. Além disso, acredita que a recusa em aceitar regras tão absurdas tem o dificultado o acesso preferencial conseguido pelos países centro-americanos.

Barbosa rebateu a insinuação sobre a Venezuela dizendo que as relações com o Brasil são puramente comerciais, sem nenhum segredo.

”Ele [Chávez] está tentando exportar a revolução sim, mas não acho que devemos levar isso tão a sério. O problema com os Estados Unidos é que não dá para aceitar regras que vão além do possível. A China, por exemplo, está fazendo uma política coerente de exportações. Ela é nosso exemplo de como ampliar o acesso ao mercado junto aos Estados Unidos”, afirmou o embaixador.

Se a relação com os Estados Unidos anda meio conturbada, o mesmo não se pode dizer do Japão. A mesa-redonda que discutiu as relações entre Brasil e Japão contou com a presença do Cônsul-Geral do Japão em São Paulo, Masuo Nishibayashi.

Em 2008 será comemorado o centenário da imigração japonesa no Brasil e para Masuo Nishibayashi, a data deve ser lembrada com a assinatura de vários acordos bilaterais, com o objetivo de se criar novas oportunidades de negócios, através da revitalização da relação econômica e o conseqüente aumento dos investimentos japoneses no Brasil.

Japão e Brasil, que junto com Índia e Alemanha formam o G4, pretendem aprofundar as relações bilaterais no futuro, evitando, inclusive, a perda considerável do intercâmbio entre os descendentes. ”Para isso, é fundamental a iniciativa da política externa brasileira e a necessidade de acordos que intensifiquem a relação entre os dois países”, disse Nishibayashi.

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