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Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

Política Externa do novo governo desata críticas ao presidente eleito

03 de novembro de 2018 - 12:24:15
por: Marcelo Rech
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Brasília – Os primeiros anúncios feitos pelo presidente da República eleito, Jair Bolsonaro, sobre temas de política externa desataram uma série de críticas no Congresso Nacional. Chama a atenção os potenciais riscos representados pela transferência da embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, um distanciamento da China, principal parceiro comercial brasileiro e o corte das relações diplomáticas com Cuba e Venezuela.

Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, Nilson Pinto (PSDB-PA), classificou essas decisões de extemporâneas, desnecessárias e incômodas. Além disso, ele lamentou o “pouco apreço” do futuro novo governo pelo MERCOSUL.

No entendimento do deputado, “boa parte dos nossos parceiros são países árabes. Ao decidir transferir a sede da nossa embaixada, algo que apenas dois países (Estados Unidos e Guatemala) fizeram, o presidente põe em risco um mercado fundamental para os produtos brasileiros”, explicou.

Nilson Pinto lembrou que no dia 21, a CREDN realizará o Seminário Política Externa, Defesa e Inteligência na projeção internacional do Brasil, com o propósito de levantar subsídios as respeito dessas três áreas.

“Vamos reunir um grupo de especialistas provados para discutir os desafios que se apresentam ao Brasil e vamos elaborar um documento que será entregue ao presidente e à sua equipe, para           que haja uma reflexão acerca do quê e como o Brasil poderá atuar em sua Política Externa, Defesa e Inteligência. Será uma contribuição da CREDN e esperamos que seja considerada pelo presidente Bolsonaro que é membro destacado da Comissão”, afirmou.

No Senado, as reações também não demoraram. A senadora e ex-candidata a vice-presidente Ana Amélia (PP-RS), comentou declarações e atos de Bolsonaro durante a campanha com relação à China. O então candidato afirmou que iria rever as relações comerciais com o gigante asiático, acusando-o de estar "comprando o Brasil", e ainda fez uma visita oficial a Taiwan. A embaixada da China no Brasil considerou a visita uma “afronta a soberania e integridade territorial da China”.

Segundo ela, “uma coisa é os Estados Unidos tomarem medidas restritivas de comércio contra a China, outra coisa muito diferente é o Brasil seguir esta mesma trilha. Os Estados Unidos são uma superpotência e continuarão a ser, além de serem a maior economia do mundo. Já nós temos hoje uma dependência comercial com a China, nosso maior parceiro. Nosso poder de fogo não pode ser comparado com o dos Estado Unidos”, advertiu.

A senadora integra a lista de nomes potenciais para assumirem o comando do ministério das Relações Exteriores. Já Cristovam Buarque (PPS-DF), derrotado nas eleições de outubro, entende que o futuro governo Bolsonaro cometerá um erro se resolver rever estruturalmente as relações econômicas, estratégicas ou diplomáticas do Brasil com a China.

Ele também manifestou uma "enorme preocupação" com sinalizações de que a embaixada brasileira em Israel possa ser transferida de Tel Aviv para Jerusalém. “Tenho enorme carinho por Israel e pela cultura judaica, mas mudar a embaixada para Jerusalém trará consequências graves para nossas relações com praticamente todos os países árabes e islâmicos. Nossos produtores de frango ou de carne halal por exemplo correrão um risco concreto de perder estes grandes mercados. Parece que Bolsonaro quer ideologizar o Itamaraty, afirmando que não vai ideologizar”, comentou.

Ana Amelia também criticou as declarações dadas pelo futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a Argentina "não será uma prioridade" da gestão Bolsonaro. Ela reforçou os profundos laços econômicos que unem os dois maiores países da América do Sul, além das relações estratégicas e institucionais que se dão no âmbito do MERCOSUL.

Por outro lado, considerou "um bom sinal" o recuo de Bolsonaro com relação à saída do Brasil do Acordo de Paris. Lembrou que setores importantes do agronegócio brasileiro manifestam apoio ao compromisso internacional, pois a saída certamente provocaria o aumento das barreiras comerciais à exportação de nossos produtos agropecuários.